Opinião

E se você agisse como Bolsonaro no seu trabalho? - Por Fernando Verga

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Falar palavrões, provocar intrigas aleatoriamente e dificultar o trabalho da equipe, atacar a imprensa e acusá-la de produzir notícias falsas enquanto você mesmo distorce dados, envolver a família em questões indevidas ou desacreditar setores da empresa onde atua. Por muito menos eu, você e todo os demais brasileiros que trabalham estaríamos demitidos se agíssemos assim, como o presidente Bolsonaro.
Com certeza você conhece alguém que ostenta a fama de bocudo, não necessariamente no nível descrito acima; eu conheço várias pessoas que se orgulham de serem bocudas. Sinceramente, quando era mais jovem eu achava legal; parecia que essas pessoas eram mais livres e se divertiam mais. Depois de um tempo, digamos que mudei de opinião. Acho vulgar e já não me provoca risos, mas sim vergonha alheia.
Entretanto, dos pontos que apresentei sobre o estilo bocudo do presidente Bolsonaro, o ataque à imprensa é o que mais me aflige, afinal, estou no bolo. Ele acusa jornalistas e empresas de comunicação de produzirem notícias falsas a seu respeito, desmoralizando o trabalho profissional de apresentar e discutir fatos ao enquadrá-lo como mentiroso.
O termo “notícias falsas”, mais famoso no inglês (“fake news”), tem sido bastante discutido nas faculdades de jornalismo. A jornalista e pesquisadora Claire Wardle, criadora da ONG First Draf (hoje incorporada à Universidade de Harvard), diz que não é bom que nós jornalistas incentivemos o uso destes termos, pois eles têm sido usados por políticos do mundo todo para atacar notícias que lhes desagradam. Por isso, o correto seria “desinformação”, pois não necessariamente se trata de uma informação falsa; às vezes, notícias antigas são compartilhadas fora do contexto nas mídias sociais e provocam reações calorosas.
Fato é que temos um presidente bocudo que ataca a imprensa e que já avisou que não vai mudar. Então, caro leitor, se você chegou até o final deste texto, lhe digo o seguinte: não siga o exemplo. “O raio não cai duas vezes no mesmo lugar”. Como disse Ana Maria Braga nesta semana, bom senso é igual desodorante: quem mais precisa, não usa.
Fernando Verga é jornalista

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