Opinião

Presente compartilhado - Por Francisco Moreno

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min

Em 1982, a reunião na Suíça pela Paz mundial, o diretor da Unicef, James Grant, ao ouvir num dos debates que bastaria o soro caseiro para diminuir a mortalidade infantil, vira-se para o Cardeal Paulo Evaristo Arns e sugere uma ação da Igreja Católica brasileira para reduzi-la, já que, na época, tinha índices de 130 mortes por mil. Daí foi um pulo, Dom Paulo, chama sua irmã Zilda, que promove uma ação em todo Brasil. De fato, com o apoio de patrocinadores que abraçaram a causa, juntamente com milhares de voluntárias, fez com que, em 15 anos, o índice caísse na marca de 12 mortes por mil. Do esforço incansável, e tenaz a maneira de trabalhar foi incorporada pelo Ministério da Saúde. E tudo começou numa simples e casual conversa!
Na questão ambiental diante da destruição do planeta, o papo era outro! Custa muito assimilar a necessidade de se ter uma ação em favor da natureza, algo parecido que se fez na Pastoral da Criança. O ensino social católico, e toda a tradição cristã, nos ensina que somos chamados a cuidar dos mais vulneráveis. E funciona muito bem em campanhas com pessoas afetadas por tragédias.
O que antes, pouco se via, era alguém se levantar e defender uma floresta por exemplo. E isto está mudando aos poucos lá no exterior. Os primeiros a se levantar e tomar uma atitude foram as Conferências episcopais dos Estados Unidos, Índia e Filipinas. Que por Deus, coincidentemente, são atingidas por Tufões, Monções e Furacões.
Ou seja, aquele dualismo preconceituoso que antes via os ambientalistas como abraçadores de árvores sem Deus, caiu por terra. Dizer que só se deve cuidar das almas, não basta. Se você for ver, um desmatamento, ou um impacto agressivo na natureza, implica numa tragédia lá na frente, transborda um rio, ou desbarranca o morro, leva flagelo e sofrimento para muitas almas de pobres desprovidos de assistência mínima. A ponta da indiferença e da falta de cuidado ficou nas mãos de quem?
Nesta visão, move católicos de base, liderando Campanhas climáticas. Na Europa, três ações recentes avançam para o nosso futuro compartilhado. Uma delas chama atenção, que é o movimento pelo desinvestimento dos combustíveis fósseis; ou seja, "pôr fim à era do combustível fóssil". O Papa Francisco recentemente lembrou a um grupo de executivos do setor de petróleo que: “O Acordo de Paris, insistia em manter a maioria do petróleo no subsolo… A civilização requer energia, mas o uso de energia não deve destruir a civilização! ” Chama atenção porque mais de 120 instituições anunciam que estão se afastando dessa indústria. São compromissos assinados pelo desinvestimento do combustível fóssil, optando e impulsionando a economia de energia limpa.
A atitude impelida por estas líderes, é altruísta, mas está claro que estão por conta do que sentiram na pele. Poderá ser o mesmo por aqui, se compromissos forem assumidos, ou, talvez como eles, esperar que a água bata no traseiro.
Francisco Moreno é membro do Movimento Global Católico na Mudança do Clima

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