Opinião

A grande crise monetária se aproxima - Por Rodrigo Andolfato

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min

Você que começou a ler este artigo não ordinário escrito por mim, foi pego pelo título que traz um prenúncio de caos econômico e isto te impactou pela curiosidade ou pelo medo. Crise monetária significa que o dinheiro, o papel moeda, sofreu uma bolha do mesmo modo que os imóveis sofreram anos atrás, e assim perderam, ou ainda perderão, seu valor de fato. Com a notícia do roubo do ouro no aeroporto de Guarulhos, que ocorreu neste último mês, uma coisa passou despercebida. A China está comprando ouro, roubado ou não, pagando em dólar 67% a mais por ele que o valor nos mercados internacionais. O que significa isso? Um país comunista, com talvez a maior reserva mundial em dólares americanos, o que já seria um paradoxo por si mesmo, está comprando com ágio ouro e se livrando desta moeda. Isso não parece estranho. Se você começar a pesquisar a fundo, desde que o presidente americano Donald Trump assumiu o governo dos Estados Unidos, ele mesmo já deixou no ar o assunto do “lastreamento” da moeda em ouro.
Para quem não se recorda, foi o presidente americano Richard Nixon que acabou com o acordo de Bretton Woods, o qual durou até 15 de agosto de 1971, quando os Estados Unidos, unilateralmente, acabaram com a convertibilidade do dólar em ouro. A partir daí, o papel moeda teve o valor lastreado na crença popular de que este papel tinha valor. Para a China, um país comunista, de que adianta ter uma grande reserva em dólares? A pergunta que fica é: O que aconteceria com o valor da moeda caso a China resolvesse gastar tudo, comprando ativos imobilizados e tangíveis, mesmo com ágio?
Como todos nós brasileiros sabemos, papel moeda é algo que pode ter seu valor destruído do dia para a noite, seja pelo governo, seja pelo mercado. E deste modo, com uma crise que se vislumbra no horizonte por vários especialistas, devemos ficar extremamente atentos com às notícias por trás das notícias. A segunda notícia vem das redes sociais, numa análise de um grande economista austríaco chamado Fernando Ulrich, que escreveu: “Exatamente doze anos atrás, o BNP Paribas, maior banco da França, congelava os saques de três fundos expostos ao mercado imobiliário americano. Era a fagulha que dava início à grande crise financeira que se sucedeu. Os mercados globais de hoje estão repletos de barris de pólvora financeira. Qual será a fagulha desta vez?”. Ele sabe qual será a fagulha. Na verdade, a China não começará a grande crise de regulação de preço de ativos por uma fagulha. Ela colocará fogo nos barris de pólvora com lança-chamas. E obviamente que a pergunta que se sucede é: “E como me proteger?” Pois bem, a única maneira de não perder dinheiro é investindo em ativos que não percam valor por não dependerem de valorações lastreadas no estado. Minhas dicas são as criptomoedas, ouro, diamantes e imóveis. Lembro que imóveis que tragam receitas de aluguel são sem dúvidas excelentes investimentos em horas como essa, uma vez que numa crise global fiduciária a retomada do mercado imobiliário não permitirá um excesso de oferta neste segmento de uma hora para outra, e o sustento dos indivíduos poupadores poderá de fato ser os aluguéis recebidos.
Rodrigo Andolfato é membro do ilan

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