Um de meus sobrinhos, ainda quando tinha os seus três ou quatro anos, certa vez foi indagado pelo pai o que gostaria de ter para o jantar, ao que prontamente respondeu: pizza! Seu pai, meu irmão, então que lhe disse que era necessário fazer o pedido. O garoto correu até a porta da sala, por onde normalmente recebiam o entregador e disse: eu quero uma pizza e retornou para o lado do pai. Mas o pai lhe perguntou: Mas como você vai pagar? Imediatamente o garoto corre até a porta e grita: vou pagar com o cartão. Parece mais uma história curiosa da perspicácia das crianças dos tempos modernos, mas na verdade revela um hábito cada vez mais comum: a utilização do chamado dinheiro de plástico. O cartão, de débito ou de crédito é cada vez mais utilizado pelos consumidores e aceito por todo tipo de estabelecimento e prestadores de serviços. Não é raro encontrar vendedores ambulantes que carregam suas maquininhas de cartão. Essa modalidade de pagamento traz vantagens para todos os envolvidos. O consumidor sente-se mais seguro por não ter que andar com dinheiro vivo no bolso, ao mesmo tempo em que pode acessar sua conta bancária imediatamente para fazer pagamento com a função débito ou valer-se de um crédito pré-aprovado para conseguir chegar até o final do mês, ou adquirir um bem em suaves parcelas, realizar compras pela internet com mais segurança e ainda acumular pontos nos programas de fidelidade que podem ser trocados por produtos e até passagens aéreas e diárias em hotéis. Já o fornecedor goza da certeza do recebimento, excluindo a possibilidade de inadimplência, tão comum com os recebimentos através dos antigos cheques, cada vez mais em desuso. E não nos esqueçamos das instituições administradores de cartões de crédito, que recebem percentual de cada venda realizada por seu cartão, além de juros em caso de vendas parceladas. Mas este é um mercado que não para de crescer. A guerra entre as empresas fornecedores das chamadas maquininhas de cartão nunca esteve tão acirrada, quer com a redução do custo da própria máquina, que antes só poderia ser alugada e hoje já pode ser comprada, quer pela disputa saudável, própria da concorrência de mercado, das taxas de juros cobradas em cada operação. O grande inconveniente até aqui é a taxa de juros cobrada pelo crédito rotativo do cartão, que varia de 12% a 18% ao mês, de modo que pagar a parcela mínima da fatura não é um bom negócio. Entretanto, se é fato que para nossos pais o cartão de crédito foi uma novidade, para nossos filhos já é algo natural e muito provavelmente esse mercado crescerá ainda mais nos próximos anos e a exemplo da guerra de preços entre os fornecedores das maquininhas, creio que logo chegaremos ao momento em que as administradores de cartão disputarão o mercado consumidor reduzindo suas taxas de juros para que possamos cada vez mais pagar com o cartão.
Evandro Silva é advogado
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