Claro que o assunto é a operação #TudoNosso. É um tema que se impôs. Mas não vou aproveitar esse espaço pra gerar danos eleitorais, pois isso já está acontecendo de modo alucinante na internet, com colaboração da própria prefeitura que não faz a mínima noção de como lidar com isso (ainda bem).
Semana passada escrevi que, há mais de década, as funções institucionais da Câmara (legislar e fiscalizar com independência) foram engolidas pelo Executivo, pelo sistema da “bancada dos cargos”; e que nosso problema não era com nomes ou partidos, mas com uma cultura política coronelista e patrimonialista, que indevidamente concentra poder num pequeno grupo de pessoas.
Poder concentrado, poder abusado. Há um padrão: as fiscalizações ou investigações que se transformam em escândalos de corrupção jamais partem da Câmara, mas da polícia ou do ministério público. E, pior, os vereadores (maioria) mecanicamente barram as investigações políticas para preservar o sistema que lhes serve.
O mesmo sistema, os mesmos resultados. Amanhã, se um novo prefeito mantiver o escambo de cargos, veremos o mesmo filme. Até quando veremos figuras pitorescas com correntes e anéis de ouro exercendo influência direta no Legislativo e Executivo e guiando nossa cidade com a hashtag “Tudo Nosso”?
Na última eleição, eu liderava o MBL e apoiamos a atual administração em troca de compromissos como redução de secretarias e cargos, criação de teto de endividamento, redução gradual de impostos e outras coisas. É preocupante que jovens que ainda transavam dentro do carro e tomavam porres em baladas tenham um projeto político mais republicano e consistente que os projetos políticos fracassados que aqui se sucedem.
Sempre tentei acalmar os ânimos e articular uma oposição política que gerasse o mínimo de dano institucional. Agora é impossível: há uma população enfurecida com galões de gasolina pra jogar na fogueira. Agora é #acasavaicair, e tomara que todo esse sistema primitivo caia junto.
Felipe Luiz Oliveira é membro do ilan
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