Ontem começamos a relembrar um pouco da história da cinematologia brasileira. Revimos histórias que diziam respeito aos irmãos Lumière, sobre a Cinédia, sobre as primeiras chanchadas até chegarmos, finalmente, na segunda crise da área, em meados da década de 90 e já no governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello.
Sem mais rodeios, é daí que vamos partir.
O CINEMA DE RETOMADA
Com os inúmeros problemas causados pelos cortes na área do cinema, aliado também ao impeachment de Collor, as expectativas para o futuro da área eram as piores possíveis. Mas surpreendentemente, na segunda metade da década de 90, durante o fim do governo de Itamar Franco e o começo do primeiro governo FHC, o cinema passou a ganhar força com a produção de novas películas, definitivamente superando todas as expectativas. Depois de vários anos mergulhados em uma grave crise, esse período ficou conhecido como "cinema de retomada"
Esse momento ficou marcado pela protocolação da Lei Rouanet, através do então secretário da Cultura Sérgio Paulo Rouanet, durante o governo de Itamar Franco. A partir daí, o cinema voltou a expressar, mesmo que timidamente, que estava se reafirmando. Ainda no mesmo governo, foi criada a Lei do Audiovisual, que nada mais é do que uma lei de incentivo fiscal mais específica para o setor, que é, até hoje, muito utilizada. Seu sucessor, FHC, deu continuidade às suas políticas de incentivos culturais. Em 2001, foi inaugurada a Ancine - Agência Nacional do Cinema, o órgão regulador do cinema nacional.
O nome "retomada" diz respeito ao momento que o Brasil voltou a abrir os olhos em relação às películas nacionais, retomando assim, seu prestígio. Foi com "Carlota Joaquina", de Carla Camurati, que os brasileiros voltaram a prestar atenção na filmografia tupiniquim. Este foi o primeiro filme realizado com o apoio da Lei do Audiovisual e também, o primeiro filme da década a levar mais de um milhão de pessoas aos cinemas. "O Quatrilho", de Fábio Barreto e "O Que é Isso Companheiro?" de Bruno Barreto foram outras obras importantes da época.
CENTRAL DO BRASIL
De origem franco-brasileira e idealizado originalmente em 1993, mas lançado 5 anos depois, este foi provavelmente um dos maiores marcos da história do cinema nacional. Dirigido por Walter Salles, o filme foi o grande sucesso dos primeiros anos de retomada. A história conta a saga de Dora, uma mulher que ajuda um garoto órfão a reencontrar a família no interior do nordeste após a mãe do garoto ser atropelada por um ônibus em frente à estação Central do Brasil, onde Dora trabalhava escrevendo cartas para analfabetos. O longa venceu inúmeros prêmios, dentre eles, ganhou o Urso de Ouro de Melhor Filme, o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e foi candidato ao Oscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira. Além dos prêmios, a maior vitória: Fernanda Montenegro, que fazia o papel de Dora, foi indicada ao papel de melhor atriz no Oscar. Concorrendo com Cate Blanchett, Meryl Streep, Emily Watson e Gwyneth Paltrow (esta que ganhou, de maneira bem controversa), a brasileira se tornou a única mulher a sequer ser indicada ao prêmio. A projeção que Central do Brasil alcançou foi um dos grandes motes pelo qual o cinema nacional cresceu em produções e investimentos.
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