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Luis Carlos Lopes: estilo de ser repórter - Por Antônio José do Carmo

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Uma das coisas que mais me causavam admiração no saudoso jornalista Luiz Carlos Lopes Martins era a sua capacidade de contar coisas complicadas de forma simples. A gente passava o dia ouvindo pessoas, fazendo fotos, discutindo a notícia, juntando informações. Tudo parecia a mim muito confuso, quase impossível tornar a história compreensiva.

Mas quando ele se sentava para escrever, parecia um tradutor do entendimento, com narrativa objetiva e direta. Palavras certas para definir emoções ou adjetivos de qualidades e defeitos, mantendo sempre a imparcialidade, ou sendo fiel à linha editorial.

Quando o jornal O Estado de São Paulo lançou o Manual de Redação, Luiz Carlos já executava praticamente todos aqueles fundamentos que padronizam, de certa forma, a construção da história e o uso de expressões mais compreensível e menos rebuscadas como chamar “caixão de defunto” de “ataúde” ou “cemitério” de “campo santo”.

Um dos orgulhos de Luiz Carlos é ter feito de seu texto e de sua técnica de abordagem, levantamento de informações e construção da narrativa, um motivador para que muita gente que já tinha intimidade com a leitura, decidisse por ingressar no jornalismo profissional.

Para com as pessoas simples, toda ternura e simplicidade. Para os autoritários e arrogantes, uma dose do mesmo veneno e o enfrentamento dos desafios. Uma vez ele planejou e um de nossos colegas, o Leonardo Concon que era correspondente em Penápolis, conseguiu comprar uma carta de motorista para provar que nesse negócio não havia honestidade.

Fidalguia, gentileza, humanidade. Era daqueles que mandava flores, abria porta do carro para as passageiras, não era de usar palavrões e gostava de ouvir e ajudar os amigos a pensarem e buscarem soluções, quando os problemas eram complicados.

Roselana de Aguiar, Kleber Santos, Manuel Martins, Francisco Siqueira, Leonardo Concon, José Roberto Oliva, José Costa, Luiz Oscar Ribeiro, Hugo Higushi são alguns dos nomes da Região Oeste do Estado que como eu, conviveram com esse brilhante jornalista que nos deixou há uma semana. Obrigado Luiz Carlos Lopes Martins, por nos mostrar referências de um jornalismo ético.

Antônio José do Carmo é jornalista

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