Artigo

Voando para fora do ninho - Por Ana Laura de Almeida

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Então você cresceu. Tão rápido. Tão inesperadamente para mim que acompanhei cada passo seu. E que mesmo assim fui pega de surpresa. Você cresceu diante dos meus olhos atentos e ainda assim me assusto com a velocidade e dimensão desse crescimento. Porque você não cresceu apenas em tamanho, em altura, em corpo. Cresceu em alma, desejos, inquietudes, sonhos e pesadelos. Tornou-se um universo em si. Que tantas vezes se choca com o meu, causando barulho, espanto, destruição. E, então, quando a poeira se dissipa, meu mundo não é mais o mesmo. Você me brinda com as mais belas visões de uma nova realidade, paisagens nunca sonhadas de um novo mundo que só é possível porque você existe. Até a próxima colisão.

A cada transformação sua eu me transformo. Mesmo ensinando, eu aprendo. Mesmo guiando, sou também guiada. A cada dor sua sou também ferida, e cada alegria sou curada. Por isso preciso ser tão forte: para que você possa crescer consciente, criando asas que se fortalecem ao passo que seus sonhos aumentam. Para que você possa buscá-los.

E, ao te ver assim crescida, sentada à beira do ninho com os pés para fora, alinhando suas asas, escolhendo a melhor direção, é inevitável que meu coração se aperte. Porque eu sei que Rubens Alves estava correto: o dever de mãe é empurrar os filhotes para fora do ninho. Mesmo que seu ninho fique abandonado no alto da palmeira, porque uma hora eles construirão os seus próprios, com suas próprias regras, sua própria visão.

O coração se aperta porque há o medo de sair do controle, de perder a companhia do filhote, de que ele sofra. Mas o coração também se alegra porque ele vai conhecer novos horizontes, vai ter novas experiências, vai tomar as rédeas do seu ser. Vai viver.

Mas, por mais que eu me convença de tudo isso, o fato é que você cresceu. E, o que eu queria mesmo, era poder te embalar em meu colo, mais uma vez.

Ana Laura de Almeida é cirurgiã dentista

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