Araçatuba a Capital do Boi Gordo. O desafio para os jornalistas que representavam as grandes empresas jornalísticas com publicações nacionais, era sair vez ou outra da esfera regional e ganhar o país e o mundo. Era preciso ter uma identidade, uma diferença e uma referência. Toda equipe de correspondentes de Araçatuba fez a rede nacional, das emissoras e jornais, reconhecerem que, para falar de boi gordo, nada seria superado pela praça de Araçatuba. Justificamos a importância com dados do próprio IBGE que, na década de 1990, constatou que no cadastro de proprietários rurais da região Amazônica, centenas de fazendeiros tinham domicílio em Araçatuba. Nesse período, a pecuária de corte já começava perder espaço para a cana de açúcar. Mas o jornalismo criou a incumbência de se referir a Araçatuba sempre que a questão fosse sobre o preço da arroba do boi, os efeitos da seca, a exportação de carne, as doenças e os frigoríficos, o abate clandestino, as campanhas de vacinação e as reações políticas contra medidas que atingiram os fazendeiros. A repercussão nacional passava sempre por Araçatuba. Mais precisamente na “Praça do Boi”, a Praça Rui Barbosa. Nenhum período foi mais intenso na praça da TV Globo em Araçatuba do que o do congelamento de preços. Havia filas imensas nas portas dos açougues e quem promovia churrasco era excomungado pelos vizinhos que, na maioria, não tinham a mesma sorte de comprar. Foi quando o Governo Federal determinou o confisco de gado nos pastos, para obrigar a venda do boi pelo preço tabelado. Mas chegou a entressafra e não havia boi para ser abatido. Foi quando virou o samba do crioulo doido. Todo mundo do Governo dando palpite e até a imprensa posicionada contra os pecuaristas queria saber onde estavam escondendo os bois. Pior desconhecimento que os jornalistas foi o próprio Governo que passou a desapropriar nas fazendas, bezerros e garrotes ainda em fase de crescimento. Em Itapura, a família Lunardelli, uma das desapropriadas, entrou na Justiça e anos mais tarde ganhou o direito a uma indenização milionária pelo confisco de bezerros, abatidos como bois gordos. Esse é um dos recordes de nossas história por Araçatuba.
Antônio José do Carmo é jornalista
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