O filósofo Immanuel Kant tem uma definição sobre a importância da educação que, particularmente, creio que seja uma das melhores sínteses sobre o tema. Ao destacar a importância do aprendizado, dizia ele que “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. Ou seja, o nível e a quantidade de informações será o pilar do que o ser humano será. Quanto maior sua capacidade de processar os fatos e pensar sobre as coisas, melhor e mais sucedida será a pessoa. Refleti sobre esta citação nesta semana ao ler a entrevista do também filósofo Edgar Morin publicada nesta segunda-feira (24) pelo jornal Folha de S. Paulo. Prestes a completar 98 anos, em julho, ele diz, a certa altura, que atualmente “vivemos uma crise do pensamento”. Fazendo uma certeira análise sobre a distância do sistema educacional - que se perpetua desde o século retrasado - e a realidade atual, ele diz que aprendemos em nosso sistema de ensino a conhecer separando as coisas de maneira hermética segundo disciplinas. Os grandes problemas, porém, analisa Morin, requerem associar os conhecimentos vindos de disciplinas diversas. Isso não é possível, e nisso concordo com ele, dada a lógica que comanda nosso modo de conhecer e de pensar. Como remédio para este problema, o filósofo propõe que as escolas e a sociedade passem a inserir, no programa escolar, temas que podem ajudar os jovens, sobretudo quando virarem adultos, a enfrentar os problemas da vida. “Não ensinamos a compreensão do outro, que é fundamental nos nossos dias, não ensinamos a incerteza, o que é o ser humano, como se nossa identidade humana não fosse de nenhum interesse. As coisas mais importantes a saber não se ensinam”, afirmou Morin com grande sabedoria. Há semanas temos discutido este tema em nossos artigos. Temos proposto que as escolas deem um passo à frente para o futuro, sendo mais do que transmissoras de informações divididas em disciplinas que não dialogam entre si. A vida real, principalmente na complexidade da Era da Comunicação, requer maior capacidade de raciocínio e empatia. Fora disso, estaremos, creio, repetido modelos que levaram o mundo à divisão, ao ódio, à violência e ao atraso emocional que temos assistido hoje.
Bruno Raphael de Souza é empresário
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