A estrutura sindical foi criada para proteger os trabalhadores e dar estrutura para o enfrentamento dos patrões nas negociações de salários. Hoje, com a flexibilidade das relações diretas com o empregador e com o fim da obrigatoriedade do recolhimento da contribuição em folha de pagamento, essas instituições passaram a depender apenas de seus associados e da avaliação que estes fazem sobre esse trabalho. No setor rural, a classe patronal, ou seja, aquela formada pelos pequenos e grandes proprietários rurais se organizou com milionários orçamentos repartidos às entidades, através das Federações de Agricultura dos Estados. Em São Paulo, há várias décadas foi instituída uma relação viciada porque a diretoria e especialmente a presidência da Faesp (Federação da Agricultura do Estado de São Paulo), sempre foi a mesma e em especial o presidente, acusado, suspeito e pouco investigado até hoje sobre o destino do dinheiro da contribuição e a transformação da Faesp num cabide de empregos para parentes e apaniguados. Os dirigentes sindicais do interior, que ousaram uma postura mais crítica em relação a esses fatos, não tiveram êxito na oposição porque o enraizamento de poder dos líderes decanos foi ao fundo e se sustentou pelo dinheiro. Teoricamente, os recursos foram destinados aos sindicatos, mas em algumas regiões, os sindicatos não deixaram transparente o balanço orçamentário, que deveria ser cobrado pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da União. Dúvidas e suspeitas se instalaram e até hoje tiram o sono dos justos. Sindicatos nas mãos das mesmas pessoas e atrelados ao poder político partidário. Tudo bem com esse comportamento, mas desde que não seja com o dinheiro público. Então eu pergunto: se o Senar é um serviço de formação rural, voltado aqui na nossa região especificamente para os pequenos agricultores e assentados, por que o Sindicato Patronal é quem toma conta desse dinheiro e da política de cursos profissionalizantes? Por outro lado, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais e o Sindicato da Agricultura Familiar trabalham com o mesmo público e não têm poder algum sobre o Senar que é ligado ao setor patronal. Esse desarranjo esvazia os sindicatos de trabalhadores.
Antonio Jose do Carmo é jornalista
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