Quando foram construídas as usinas hidrelétricas de Ilha Solteira e Jupiá, as exigências ambientais não eram tão grandes. Mas ao longo dos últimos anos, foram várias condenações judiciais e acordos com o Ministério Público Estadual para a manutenção de atividades permanentes de preservação e reposição da fauna e flora, atingidas pela inundação.
Em Jupiá, do lado do Mato Grosso do Sul em Três Lagoas (MS), foi instalado um grande viveiro de mudas. A Companhia Energética de São Paulo foi a responsável pela obra e sua manutenção até meses antes da usina de Jupiá passar para o comando da empresa de energia Chinesa CTG. A capacidade de produção era acima de 2 milhões de mudas. Na lista, as 83 principais espécies vegetais que ocorrem na região Alta Noroeste Paulista e Costa Leste do Mato Grosso do Sul.
O contrato de concessão que passou a ser da CTG, mantém a obrigação de promover o reflorestamento, inclusive a baixo custo ou gratuito para as áreas de reposição, particulares ou púbicas. No entanto, estranhamente o viveiro foi desativado e tudo virou um abandono deplorável. Mas se o contrato transferiu o passivo ambiental da Cesp para a CTG chinesa, porque motivo o trabalho foi paralisado?
O mesmo se verificou com a Estação de Aquicultura que a Cesp mantinha no município de Castilho e que atualmente está sendo invadida pelos sem terra do José Rainha. São aproximadamente 180 hectares de área incluindo reflorestamentos e os tanques de reprodução de peixes. Todas instalações foram abandonadas.
Vez ou outra aparece o noticiário da CTG lançando milhões de alevinos no rio Paraná. As autoridades, prefeitos e vereadores dos municípios costumam participar dessas solenidades. Mas, afinal, quem garante que toda essa quantidade está sendo lançada? Quem contou? De quem é a responsabilidade.
Está cada vez mais claro que a CTG Chinesa não tem preocupação ambiental de fato. Foi depois dela que as algas que desciam do Rio Tietê, Sucuriú e Paraná deixaram de ser recolhidas nas grades da barragem de Jupiá. Agora elas são lançadas rio abaixo. Os pescadores dizem que o fundo do rio vem sendo ocupado por uma grande massa verde de aguapés, que já são vistas sobre as águas e atrapalhando a navegação principalmente das pequenas embarcações.
Antonio José do Carmo é jornalista
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