As relações pouco republicanas do então juiz Sérgio Moro com integrantes da força-tarefa da Lava Jato reveladas em reportagens do The Intercept Brasil na noite de domingo colocam em xeque a idoneidade dos processos que levaram à prisão o ex-presidente Lula e outros.
Não se trata aqui de defender este ou aquele, se trata de seguir o que a Lei determina, no artigo 254 do Código de Processo Penal, veta expressamente o envolvimento de um Juiz com a Defesa ou com a Acusação, tendo de ser imparcial para que a sentença proferida ao final seja idônea e justa. Pelo conteúdo das gravações divulgadas até o momento, digo isto, pois a Intercept alega ter muito mais, o que já vem abalando e muito não somente o meio jurídico, mas também o político, tendo em vista o teor de algumas partes que afirmam que teriam de tirar Lula da disputa eleitoral de 2018 e também o impedimento através da Justiça do mesmo poder dar entrevistas antes do processo eleitoral para não favorecer o candidato de seu partido.
Agora o ex juiz Sérgio Moro e atual Ministro da Justiça alega que os diálogos foram adquiridos de forma ilegal, Deltan Dallagnol promotor da Lava Jato também se manifestou contrário a divulgação das conversas, mas nenhum negou a veracidade dos conteúdos.
A Lava Jato deveria ter cumprido seu papel de forma imparcial e seguindo a Lei e não agindo de forma promíscua a qualquer custo para atender interesses deste ou daquele.
Mesmo que as conversas tenham sido adquiridas de forma ilegal, o que a Intercept garante que não foi através de hackers, se forem verídicas, trazem à tona algo importante a ser debatido na sociedade: elas devem ser utilizadas para garantir a defesa dos que foram prejudicados?
Só sei que a imagem do Judiciário está arranhada e pede uma ação rápida para averiguar se o conteúdo é verdadeiro e, se for, agir para garantir o Devido Processo Legal a todos.
Vamos aguardar o desenrolar dos próximos capítulos, afinal a Intercept garante ter muito mais a divulgar.
Fernando Zar é sindicalista
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