Reza a tradição que festa junina acontece no mês de junho. Mas a grandiosidade do São João no Nordeste extrapolou o calendário.
De olho em turistas de outras regiões, cidades nordestinas apostam numa espécie de "esquenta", com festas durante maio e a primeira quinzena de junho. Também buscam esticar as comemorações para julho, na ressaca das festas que brindam a São João, Santo Antônio e São Pedro.
Em Campina Grande (PB), a prefeitura tem incentivado a realização de festas em espaços privados em maio e contabiliza 80 eventos em restaurantes, bares e shoppings.
"É um movimento que começou de forma espontânea e estamos incluindo no calendário oficial. A ideia é ir criando um clima para quando o São João chegar", diz o prefeito, Romero Rodrigues.
Além das festas privadas, trios de forró tocam em espaços públicos aos fins de semana. As apresentações diárias no Parque do Povo vão de 7 de junho a 7 de julho, dia do show da cantora Marília Mendonça.
Com a expansão da rede hoteleira, que chegou a 3.200 leitos após a inauguração de três endereços, a expectativa é que a cidade retenha mais turistas.
Atualmente, parte dos turistas que visitam Campina Grande no São João vem da capital, João Pessoa, a 130 km, em esquemas de bate-volta.
Em Caruaru (PE), o forró tomou conta em 18 de maio, aniversário da cidade, e prosseguiu com o São João na Roça, parte do evento oficial que ocorre na zona rural.
O ciclo junino, que engloba 24 polos, tem quase dois meses e só acaba em 14 de julho. É uma tentativa de aproveitar a tradição de forte apelo popular para esquentar a economia, no comércio e no turismo.
Para este ano, espera-se bater o recorde de público do ano passado, quando mais de 2 milhões de pessoas prestigiaram a festa e a ocupação hoteleira chegou a 97%.
A Prefeitura de Caruaru afirma que o evento, orçado em R$ 14 milhões, bancado pela iniciativa privada por meio da Lei Rouanet (que prevê renúncia fiscal para patrocinadores), gera 6.000 empregos diretos e indiretos e injeta R$ 200 milhões na cidade.
"Do ponto de vista econômico, o São João é nossa data mais importante, mais até do que o Natal", diz a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra.
As novidades deste ano incluem os polos nas comunidades rurais de Lages e Itaúna –serão 12 pontos afastados do centro– e apresentações de música instrumental no Monte Bom Jesus.
No Pátio do Forró, maior palco do evento, serão realizados grandes shows, ao longo do mês com nomes como Marília Mendonça, Alok, Fagner, Xand Avião e Elba Ramalho.
A veterinária Suzy Helena Farias, 34, que mora no Rio de Janeiro, estará no São João em Caruaru pela primeira vez. Mesmo com os preços das passagens aéreas altos, ela diz que fez esforço para não perder a festa. Vai com o marido e um casal de amigos.
"Adoro o Nordeste e tudo o que vem de lá. Estive no São João de Campina Grande há dois anos. Chegou a hora de saber qual é o melhor dos dois", diz.
Além do circuito Caruaru-Campina Grande, o São João de São Luís, no Maranhão, é um dos que mais tem crescido no Nordeste.
As prévias começam neste fim de semana com a "festança junina" espalhada por vários bairros. A partir de 14 de junho, o Centro Histórico vira o palco principal com a apresentação de 430 grupos folclóricos de bumba-meu-boi, tambor de crioula e forró.
"Tem um pouco de tudo da cultura do Maranhão na festa", diz o secretário estadual de Cultura, Diego Galdino.
Na Bahia, novas festas começam a se projetar além do circuito tradicional de São João, que inclui Amargosa, Senhor do Bonfim, Euclides da Cunha e Cruz das Almas.
É o caso de Itacaré, cidade do sul baiano conhecida por suas praias. Há três anos, a cidade realiza em abril o Festival de Forró, organizado pelo sanfoneiro Targino Gondim.
Neste ano, a ocupação hoteleira chegou a 100% no período da festa, que teve entre as atrações Elba Ramalho e a banda Fulô de Mandacaru em palco à beira-mar.
João Pedro Pitombo e João Valadores
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