Artigo

O bem-estar social depende de cada um - Por Fernando Verga

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Já escrevi neste espaço sobre a falta de educação no trânsito, o que chamei de cretinice social, e infelizmente sobra pauta do tipo em Araçatuba. Assim que você puder, caro leitor, faça a experiência de parar e observar o trânsito conforme as regras. Com certeza você notará uma série de infrações, pois há uma epidemia de falta de seta, de desrespeito a sinais, à faixa de pedestres, aos ciclistas. Em relação aos pedestres, não consigo entender o porquê de muitas pessoas atravessarem fora da faixa, optando por cruzamentos movimentados onde a preferência é de veículos.

Parte da minha rotina é transitar pelos bairros da região do Centro, onde encontro diariamente estes exemplos de cretinice social. Sempre me pergunto: de onde vem essa falta de empatia? Qual motivo leva essas pessoas a agirem assim, colocando a vida de outros em risco?

Ando relendo “O declínio do homem público”, do sociólogo Richard Sennet, livro indicado em 2002 pela querida professora doutora Vera Alves Cepêda, atualmente na UFSCAR. O autor não responde diretamente a nenhuma destas perguntas, mas ajuda a filosofar sobre o assunto. Ele busca compreender os motivos da decrescente participação do indivíduo na vida pública, o que deu origem a um espaço público morto.

Sennet apresenta o conceito de sociedade intimista, onde as relações sociais são mais imaginadas que vivenciadas, elevando o culto ao indivíduo e ao individualismo em relação à vida social – fator que gera o desequilíbrio da civilização moderna. Fico pensando nos mecanismos que geraram, ao longo da história, o desgaste desta relação entre nós e o espaço público, e vejo que o desrespeito social que tanto me incomoda é impulsionado por esse desgaste.

Muitas pessoas não se incomodam com a possibilidade de cometer um acidente, até que cometem. Esse pressuposto exemplifica como o individualismo age e corrói a sociedade. Richard Sennet diz que para reverter essa lógica é preciso haver uma nova ética que modifique as relações sociais, o que abalaria a estrutura do sistema capitalista.

Talvez não precisemos ir tão longe. Acho que “um pingo de educação”, como diria minha mãe, ajudaria.

Fernando Verga é jornalista

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