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A decisão do Safadão e a vida - Por Jean Oliveira

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min

“Vamos aproveitar mais a vida! Vamos viver a vida mais leve!”. Estas são algumas das palavras publicadas na última quinta-feira (29) pelo empresário, produtor e cantor Wesley Oliveira da Silva, mais conhecido como Wesley Safadão. A frase faz parte de uma publicação feita por ele em uma rede social ao fazer uma homenagem ao seu amigo e sócio Gabriel Diniz, morto em um acidente aéreo em Sergipe dias antes.

Todas as vezes que acontecem tragédias como estas, a sociedade toda lamenta o ocorrido. Mas, quando a morte bate à porta de nossas casas ou de pessoas bem próximas, o efeito psicológico e emocional é muito maior. E é nesta hora que nascem as religiões e a filosofia. Na tentativa do ser humano em lidar com a finitude, do próximo e principalmente a sua.

A religião traz o conforto para o ser humano, falando sobre vida após a sepultura, em céus para os bons. Desta forma, o momento da despedida é também um chamado à esperança de dias melhores após o choque com o inevitável.

Já a filosofia tem tratados e tratados sobre o tema. Algumas bem duras, conhecidas como niilistas por aqueles que acreditam que a morte é o fim completo do homem, e outras mais esperançosas.

Entre os mais céticos está o alemão Friedrich Nietzsche (1844 - 1900). Ele afirmava que era possível ter duas posturas perante a morte: covarde ou voluntária. Na morte covarde, essa experiência é vista como um acaso, uma fatalidade. É a falta de longevidade que faz com que o homem pregue o abandono da vida, perdendo a possibilidade de modificar a realidade.

É nesse tipo de postura que surgem, segundo o alemão, os sentimentos como a raiva, a vingança e a repulsa da morte. Já a morte voluntária, é aquela que acontece no tempo certo e para aqueles que aceitam a morte, sem culpa, entendendo-a como um elemento intrínseco da vida humana. Então, um tempo bem vivido resulta em uma morte voluntária.

Já para Sócrates, por exemplo, a morte é algo essencial, porque é ela que permite que a alma se dissocie da matéria e alcance o verdadeiro conhecimento, estando livre em sua forma mais pura. A mesma ideia foi amplamente desenvolvida e divulgada por Platão.

Porém, para tomarmos as palavras de Safadão como norte para a discussão do ‘Vencer-se’ desta semana, vamos recorrer ao pensador francês Michel Montaigne (1533-1592). Ele acreditava que somente a filosofia era capaz de preparar o homem para a morte, pois por meio da reflexão, o ser humano se prepara para o inevitável e acaba não se tornando vulnerável e temeroso.

Na visão de Montaigne, ao pensar na morte, o homem passa necessariamente a refletir sobre a vida que leva. Ele acreditava que não importa se você viveu muitos ou poucos anos, o que importa é a forma e a maneira como você aproveitou esse tempo. Somente por meio da filosofia, defendia, poderíamos aprender a aproveitar o tempo que temos em vida.

Então, quando Wesley Safadão chama a todos os milhares de seguidores a aproveitar mais a vida, ele está entrando em sintonia com grandes pensadores. Viver é aproveitar cada momento, e pensar sobre isso não é pura autoajuda, como querem tantos preconceituosos que usam este termo para minimizar o ato de pensar a existência.

Vencer-se é olhar para além do cotidiano e mesmo diante do maior espanto entender que somos mais que as circunstâncias nos oprimem a acreditar. Só vai progredir pessoalmente e materialmente aquele que colocar a cabeça fora da caixinha e como disse o cantor, viver mais leve, desde que isso signifique entrar em contato com a gratidão e vencer o medo de querer uma vida com mais significados.

Jean Oliveira é jornalista, bacharel em Turismo e funcionário público municipal

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