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Quem não tem Harvard, usa USP - Por Rui Matheus Joaquim

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Identificar mentiras em currículos não é algo raro para profissionais de recursos humanos. Surpreendente mesmo é assistir incrédulo a auto atribuição de títulos imaginários que figuras de autoridade do país vêm realizando nos últimos tempos. Detentora de uma história de superação que em si já era nobre, o estopim de todo esse pastelão narcisista começou com a Dra Joana D´arc virando notícia. A química se viu em maus lençóis e esteve as voltas com uma revelação chocante, o fato de ter mentido sobre ter realizado pós-doutorado na prestigiada universidade de Harvard. Em sequência, Wilson Witzel, atual governador do Rio, faltou com decoro ao ter registrado em seu currículo Lattes que parte de seu doutorado teria sido realizado também na famosa integrante da Yvy League. O governador alegou em sua defesa, de forma hilária, que fez o registro no currículo pois tinha a intenção de estudar lá. Outra bola fora, Ricardo Salles, ministro do meio ambiente não é mestre em direito público por Yale. O atual ministro da educação, Abraham Wentraub, foi inicialmente apresentado como doutor, pelo presidente Jair Messias Bolsonaro, ledo engano. Embora a extrema direita do país neste momento torça o nariz para as universidades, parte de seus membros gosta de superestimar seus feitos acadêmicos. Para completar o combo, no início do ano a ministra da mulher, família e direitos humanos, Damares Alves, que dizia ser “mestre em educação” e “mestre em direito constitucional e direito da família” apelou para o viés da autoridade divina, dizendo que seus mestrados eram bíblicos! Passei a vida assistindo filmes sobre a universidade de Harvard, em meus devaneios nerds, seria como ser aceito em Hogwarts. Mas a velha Maria, minha finada avó, me ensinou a ter os pés no chão e a mão na massa, e não viajar na maionese do fetiche megalomaníaco, como gente graúda anda fazendo. Com isso consegui apenas terminar um doutorado em 2017 na Universidade de São Paulo. Como cantava Raul Seixas, quem não tem colírio usa óculos escuros, quem não tem filé come pão e osso duro. Com tamanhas bizarrices não há quem não se assuste, por isso salve Raul! Quem não tem Harvard, usa USP.

Rui Matheus Joaquim é psicólogo

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