Nessa quarta-feira, dia 28, a Folha da Região publicou um artigo do jornalista Jean Oliveira intitulado “Filosofe sobre seus boletos”, sobre um livro do filósofo Luiz Felipe Pondé, e me instigou a escrever este texto. A perspicácia filosófica do autor (tanto de Oliveira quanto de Pondé) vê na mediocridade nossa de cada dia uma série de potenciais esquemas a serem transformados através da reflexão. Se os boletos continuarão chegando, que sejam com dívidas mais prazerosas de se pagar.
Sugerir para a sociedade filosofar sobre sua rotina é um ato de coragem, hoje em dia. Não estou ironizando; acredito realmente nisto. No Brasil, particularmente, vivemos uma época de desprezo pelas Humanidades, área do conhecimento que meu caro amigo Jean explora para compreender este mundo, os indivíduos e seu conjunto, a sociedade. Há exceções, pois não existem unanimidades em questões humanas, sejam elas de senso comum ou científico.
O desprezo pelas Humanidades é social, político e financeiro, ou seja, está se afirmando de forma estrutural. Os ataques aos professores, às artes, Filosofia, Sociologia, História, imprensa e outros, muitas vezes através de um desmerecimento debochado, são prova. Isso coloca uma aura de militância em quem atua nas Humanidades, pois há sempre uma situação de enfrentamento.
Milhões de brasileiros se manifestam contra as Humanidades nas mídias sociais, acusam profissionais de doutrinadores de esquerda, de produzirem conhecimento inútil, de deturparem o que deveria ser a identidade, cultura e moral nacionais e outros. A suscetibilidade da população diante das notícias falsas mostra o grau de compreensão da realidade que se tem, ou seja, há uma profunda deficiência em linguagens das Humanidades que a transforma em alvo fácil, a famosa massa de manobra.
Como diz Pondé, citado por Jean Oliveira, é preciso filosofar para sair do sonambulismo repetitivo da rotina. O pensamento filosófico faz avançar as fronteiras da compreensão e oferece coisas melhores para fazer em vez de ficar nutrindo ranço nas mídias sociais.
Fernando Verga é jornalista
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