Artigo

Nossas obras ficam conosco - Por Sidney Fernandes

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min

Quando se fala em Holocausto, logo nos lembramos dos seis milhões de judeus que pereceram na Segunda Guerra Mundial. Poucos, no entanto, conhecem o genocídio ocorrido na África, no começo do Século XX, quando duas tribos – namaquas e hererós – foram quase dizimadas.

Na chamada “Partilha da África”, iniciada no final do Século XIX, nações europeias ditas civilizadas invadiram várias regiões em busca de riquezas e terras. O território onde se encontra hoje a Namíbia foi invadido e saqueado pelos alemães, que quase exterminaram a população nativa das tribos hererós e namaquas.

Os ventos da Ilha Shark, um dos campos de extermínio de africanos, sopraram e desenterraram milhares de crânios e ossadas, revelando o triste genocídio até então oficialmente desconhecido da população terrestre.

Iniciaram-se, a partir daí, movimentos – que continuam nos tempos atuais – no sentido de se obter um formal pedido de desculpas do invasor e as devidas indenizações para os descendentes dos nativos que sofreram essas violências.

Alguns estudiosos entendem que o genocídio contra os judeus foi planejado com base nas experiências com os genocídios dos africanos e dos armênios, em que exército e governo alemães também estiveram envolvidos.

Os atuais jovens alemães envergonham-se das barbaridades cometidas por seus ancestrais, principalmente pela motivação racista com que seus antepassados pretendiam explicar seus crimes, que poderia ser resumida na frase com que a Alemanha tentava justificar-se, ao dizer que os nativos não poderiam ser protegidos pela Convenção de Genebra porque “eles não eram humanos de verdade, mas subumanos”.

No livro Herdeiros de nós mesmos, de minha autoria, além de chamar a atenção para mais essa atrocidade, focalizo o assunto sob o aspecto espiritual, mostrando as providências da Espiritualidade em relação às vítimas e aos verdugos do primeiro genocídio do Século XX.

O que acontece, após a morte, com os protagonistas desses crimes contra a Humanidade? Quem conhece um pouco da lei de causa e efeito pode deduzir o que ocorre com os autores. Sabe que, mais cedo ou mais tarde, eles deverão acertar suas contas com a Justiça Divina.

E com as vítimas? Algumas perdoam e prosseguem com sua jornada evolutiva. Outras permanecem imantadas aos vilões. Resolvem fazer justiça com as próprias mãos e se tornam, ao mesmo tempo, vítimas e justiceiros. Esse lamentável e recorrente círculo vicioso acarreta agravamento de suas situações espirituais.

É impossível permanecer no erro e na ociosidade. Quando não ouvimos os conselhos de nossos protetores espirituais, prorrogamos, por tempo indeterminado, o retorno ao equilíbrio e à normalidade.

Diante das incertezas, das dores, das perseguições e das dúvidas que permeiam nossas vidas – de alguma forma ainda somos vítimas, verdugos ou ambos – atentemos para este precioso esclarecimento: “Nossas obras ficam conosco. Somos herdeiros de nós mesmos.” (Espírito André Luiz)
Nesta quarta-feira (29), a partir das 20 horas, teremos noite de autógrafos do livro Herdeiros de nós mesmos, após palestra sobre o tema no Centro Espírita Esperança e Caridade, em Araçatuba (rua Sud Menucci, 55, bairro Nossa Senhora Aparecida). Será uma alegria recebê-los.

Sidney Fernandes é escritor e dirigente no Centro Espírita Amor e Caridade, em Bauru. Descreve esta Face Espírita/Ano 12 para publicação exclusiva na Folha da Região.

Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários