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Os cafezinhos com o doutor Genilson - Por Antônio José do Carmo

Por Redação |
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O advogado e jornalista Genilson Senche deixou-nos um vazio e nos obrigou a buscar o moderno, o evoluído, sozinhos, sem seus comentários. Aquela saída à pé até o bar da esquina para comentarmos a pauta. A caminhada era o descarrego. O café, a reposição dos estímulos. Numa época em que as redações eram depósito de bitucas sobre as escrivaninhas, Genilson não fumava.

Como era maravilhoso aquele caminho da redação da Folha da Região até o tradicional ponto de quem apreciava café com a boa prosa, a conversa, as trocas de opiniões, as comemorações dos mesmos pontos de vistas ou a certeza de que nunca haveria entendimento, mas o nobre respeito prevaleceria.

Genilson não se importava com as dúvidas e suspeitas que sua jovem redação trazia todos os dias. Eu participava da equipe. Tive muitas manchetes na Folha da Região, editadas pelo Chefe de Redação Reinaldo Penteado que deixou posteriormente o jornalismo para exercer funções de Promotor Público de Justiça, que a meu ver foi apenas um prolongamento daquilo que a gente já fazia na redação do jornal.

Senche gostava de abrigar as mentes mais polêmicas e questionadoras. Uma época em que o jornalismo era de fato uma votação para se comprometer com algumas tomadas de posições políticas. Não aquelas partidárias, mas aquelas em defesa da busca pela essência das coisas. E essa prioridade era o ser humano, a vida, os direitos e a justiça, as diferenças e o holofote sobre aquilo que as pessoas queriam esconder por causa dos preconceitos. Sobre os deveres dos cidadãos, já estavam sendo muito bem cobrados pelo Estado.

Vivemos os primeiros momentos de ousadia contra o período de fechamento das informações. E tínhamos toda credibilidade da classe política de direita, a quem Genilson tinha respeito e trânsito. Porém, nosso comportamento era muito mais chegado às bandeiras da esquerda daquela época. E a Folha da Região cultivava essa harmonia na heterogeneidade de gêneros e formas de pensar. E certamente foi esse ingrediente que sempre diferenciou esse jornal: a liberdade.

Antônio José do Carmo é jornalista

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