A gente parte do princípio de que o Governo Federal está mentindo? Que essa história de baixa arrecadação é conversa pra boi dormir? Afinal temos um grupo que não admite reforma na Previdência, porque acha simplesmente desnecessária e que o contingenciamento na Educação é um absurdo sem tamanho. Eu não vejo assim. Não quero a anarquia. Estou velho para pensar nisso.
O papel aceita tudo que a gente escreve. Tudo aquilo que a gente diz. Por isso não vai custar nada provocar o pensamento de todos vocês. É muito simples. No Brasil o ensino superior público é o troféu da classe média e rica, de quem pagou escola particular para o filho. Consideremos que 2/3 são provenientes de famílias pobres ou que não teriam condições de pagar a faculdade de seus filhos, teríamos 1/3 que poderiam pagar conforme renda declarada no documento de Imposto de Renda.
Se cada estudante dessa classe mais abastada colaborasse com uma parcela simbólica, em torno de R$ 300,00 mensais, essa receita não seria suficiente para cobrir essa contingência? Citei esse valor, mas pode ser outro.
Essa semana postei essa sugestão na minha página e curiosamente teve declarações de seguidores, admitindo que embora tivessem formado três filhos em escolas universitárias, pagariam de com gosto um valor que ajudasse manter os mais carentes na escola. O dinheiro público da Educação precisa se voltar para o Ensino Fundamental. É chegada a hora do sacrifício daqueles que mais lucraram com a alta qualidade do nosso Ensino Superior.
Isso se chama solidariedade, humanidade e justiça social. O rito capitalista e selvagem não admite essa conta ser paga desse jeito. “Todos são iguais perante a lei”. Só que não. As desigualdades formam as castas sociais. As ações para alterar essa realidade, devem passar necessariamente pelo gesto solidário, social, responsável.
Mas é no mínimo antagônico ver as manifestações contra os cortes de verbas na Educação, serem apoiadas por estudantes das escolas particulares, algumas entre mais caras do país. O momento é propício. A classe mais abastada, com toda certeza é a que mais trabalha para o sucesso do Governo de Bolsonaro.
Antonio José do Carmos é jornalista
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