Artigo

A certeza dos que não sabem

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Assim como a inteligência está ligada a capacidade de elaborar perguntas, a falta dela caracteriza-se por uma cega obediência a questionáveis certezas, o que prova o equivoco do senso comum, já que o individuo convencido de seus argumentos e que pouco questiona, aparenta ser mais inteligente.

Nada está mais longe da verdade, pois basta observarmos os inúmeros dissabores que enfrentamos quando, por exemplo, decidimos adquirir um bem que se provará em pouco tempo desnecessário, como é caso das compras por impulso. Outro exemplo, também bastante atual, ocorre com usuários das redes sociais, que por sinal são um caminho aberto para exposições vazias de conteúdo e cheias de inutilidades.

Nelas é comum ver pessoas comentando desde o creme dental preferido até novas práticas sexuais recém-descobertas, tudo 100 % aberto, pois trata-se do “exercício pleno da liberdade de expressão” Penso que além do aludido e inconsequentemente direito, também importa saber se ele é de fato legitimo.

Lembro-me de uma reunião gerencial que transcorria normalmente, até que um diretor disse de forma enfática que não concordava em estender o horário de atendimento das lojas em uma véspera de natal, conforme proposto pelos sócios da empresa. Ele prosseguiu bastante nervoso com a decisão, e para o meu espanto disse que todos em sua equipe eram mal remunerados e que estavam ali por que não tinham nenhum emprego melhor.

Na esperança de que ele compreendesse sua função enquanto diretor eu perguntei como pretendia motivar seus gerentes na data em questão, principalmente agora que todos sabiam sua opinião pessoal. Meu objetivo era que ele percebesse a enrascada que estava entrando ao falar de forma tão negativa e contrária aos interesses da empresa na frente de seus liderados. O diretor simplesmente disse que estava certo quanto a seu direito de expressar sua opinião. Cultivar a dúvida questionando sempre, é essencial para a lucidez na vida, é também não se deixar aprisionar por crenças adquiridas e opiniões irrefletidas, esparramadas aos quatro cantos pelos “certos” que nada sabem.

Marcelo Prates é consultor empresarial

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