Artigo

Criação da Diocese de Araçatuba

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

A instalação da Diocese de Araçatuba que completa 25 anos, ocorreu após um período de grandes polêmicas da Igreja com sua doutrina social que considerava prioritário o foco das ações de evangelização, em defesa dos mais pobres.

Para muita gente a divisão da diocese foi para enfraquecer o poder da diocese de Lins, que era dirigida por uma equipe mais radical em relação às práticas de ações para reduzir as desigualdades econômicas e sociais da população. E tinham apoio do bispo e do Clero chamado “Progressista”.

Curiosamente alguns anos antes, até os prefeitos da Alta Noroeste, liderados pelo saudoso prefeito Edmon Salomão de Andradina, encaminharam ao Vaticano, pedido para que o Papa interviesse na Diocese que segundo os prefeitos, estava pregando ideologia marxista e cheia de padres comunistas.

Vivíamos intenso período de êxodo rural. Cidades com favelas por todo lado. E na Alta Noroeste, na diocese de Lins havia um bispo, D. Pedro Paulo Koop que fez diferença durante esse período. Ele abrigou os intelectuais do mais alto gabarito para “organizar o povo” em Associações e Movimentos que atuassem junto à sociedade civil, para promover a mudança da realidade. O que é o “capitalismo”, “socialismo”, “comunismo”?

Na juventude, especificamente as propostas de uma sociedade mais igualitária acabavam se sobrepondo ao frio movimento do mercado financeiro e por isso as chamadas propostas “comunistas”, acabavam sendo mais simpáticas e coerentes com o Evangelho.

Evangelizar apenas para salvar a própria alma, ou se preocupar mais em resolver os problemas alheios. Uma coisa não tira a razão da outra, mas faltou quem sabe esse equilíbrio. Todavia a ruptura foi gigantesca especialmente entre os leigos.

Os pecuaristas que faziam polpudas doações para leilões de gado e campanhas da igreja, desapareceram dos templos. Foi quando a Igreja no Brasil recebeu recursos de organizações da igreja na Europa, para manter projetos como o das Comunidades Eclesiais de Base e os postos de saúde em bairros que hoje se transformaram no modelo para as Unidades Básicas de Saúde.

Antônio José do Carmo é jornalista

Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários