Artigo

“Minha Casa Minha Vida” e Liberalismo

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Poderia ter intitulado esse artigo como “os subsídios e o liberalismo” ou qualquer outra proposta do governo para “ajudar” determinado setor. A escolha do Plano “Minha Casa Minha Vida” (MCMV) se deve ao fato de que muita gente me pergunta o que eu, como liberal e dono de construtora, acho do “incentivo” do governo para “ajudar” meu setor. Portanto, versarei sobre este fato em específico do setor imobiliário, mas qualquer pessoa pode ampliar seus efeitos para as demais indústrias onde haja concorrência direta. O fato preponderante dos subsídios do governo é que eles, por serem finitos (dinheiro termina também para o Estado), acabam com a normalidade das leis de mercado de oferta e procura. No caso do MCMV o governo irrigou de forma muito ampla o mercado de crédito imobiliário, bem como chegou a dar subsídios aos compradores. Devemos então lembrar que: 1) as construtoras estavam recebendo o valor integral pelos produtos vendidos e estes subsídios saíram do bolso de todo cidadão brasileiro. 2) o crédito só pode ser dado por quem de fato tem o dinheiro para isso, e o Estado não era o detentor deste dinheiro. Independentemente dos dois problemas acima elencados, os quais são a razão de se ter que terminar com o Plano MCMV em algum momento, o fato preponderante aqui é que muitas pessoas começaram a construir e abriram empresas para atender a gigantesca demanda de imóveis artificialmente criada. Ou seja, o livre mercado naturalmente cria o equilíbrio de ofertantes e a demanda que se solicita tal oferta. E assim foi de 2009 para frente, muitas pessoas conseguiram crédito fácil e conseguiram comprar suas casas alienadas para o banco. Muitas empresas abriram para atender a demanda. Na sequência, o dinheiro que é finito até para o Estado acabou, e desta forma a demanda caiu absurdamente. No entanto, como os projetos estavam em andamento muitas construtoras se viram sem clientes e tiveram que diminuir seus quadros. Isso aconteceu em vários setores da economia e com isso as pessoas que antes estavam empregadas, perderam, seus empregos. Tudo isso aconteceu por conta de uma economia baseada na fábula do almoço grátis, onde o povo acredita numa mágica que não pode ser cumprida.

Rodrigo Andolfato é membro do Ilan

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