Se você é um operário padrão, com carteira assinada e salário em dia, com certeza você é submetido às ordens de alguém que já aprendeu a diferença entre trabalho e emprego. Quem está em um emprego tem hora para entrar e sair. Quem já entendeu que trabalho é algo que é construído a partir de um ideal, um crescimento, uma contribuição para o mundo está usando os seus melhores talentos, já entendeu que pode ganhar mais dinheiro fazendo o que ama.
Entra nesta conta, as pessoas que levantam todos os dias para fazer o que acreditam ser melhor para si e para a comunidade, pessoas que construíram grandes impérios como Walt Disney, Steve Jobs, Roberto Marinho e tantos outros empresários, executivos e artistas. A felicidade em fazer a tarefa é maior do que qualquer pagamento. Mas, mesmo não sendo o valor maior, acabam até ganhando mais que os trabalhadores, pois estes servem como apenas um executor automático de tarefas.
Um dos bons primeiros passos é ensinado pelo especialista em negociação William Ury na obra “Como chegar ao sim com você mesmo?” (Editora: Sextante). Em seu livro, ele propõe um caminho surpreendente para fechar um acordo: chegar ao “sim” primeiro com você mesmo, para então buscar o “sim” dos outros.
Ele conta como foi atuar na negociação entre o empresário Abílio Diniz e a holding que controlava o Grupo Pão de Açúcar, e influenciar o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez na grave crise política com a oposição.
Apesar de fornecer um roteiro claro e simples, o livro faz a gente pensar e nos reposiciona frente às críticas e ao confronto. Estar preparado para os ‘nãos’ e as desconfianças é primordial para qualquer mudança de atitude no mundo corporativo. Ury nos coloca de frente nós mesmos para que possamos negociar com nossa mente e nossa alma o quanto a gente quer mudar e definir até as premiações. Aprendendo a conseguir os “sims” de nós mesmos, estaremos preparados para tirar os “sims” das demais pessoas.
O caro leitor pode argumentar que a ideia é excelente, mas que não pode largar o emprego para viver um sonho. Está certo. Mas talvez seja possível achar um excelente meio termo. Pare de agir como um empregado e adote a postura de quem tem um trabalho. Comece a usar seus talentos para encontrar soluções para sua corporação, aumente sua satisfação em realizar suas funções e entenda que é o seu esforço que determina o sucesso pessoal e coletivo.
O mínimo que pode acontecer é você se destacar e subir alguns degraus na corporação. Se a empresa atual não te valorizar, com certeza uma concorrente saberá como convidá-lo a novos desafios. Fora isso, seu entusiasmo e sua dedicação se transformarão em um brilho diferente nos olhos e em breve você será o novo patrão. E se chegar a este ponto, saberá diferenciar os empregados dos trabalhadores e não cometerá o erro de perder alguém como você.
De toda forma, largue agora seu emprego, ou pelo menos a mentalidade de empregado. Vencer-se é sair da zona de conforto, assumir seu papel de agente transformador da sua vida e do entorno em que está inserido.
Jean Olivera é jornalista, bacharel em Turismo e funcionário público
Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.