Fenômeno cultural moderno é o consumo de informação! A compulsiva curiosidade e o obsessivo apego a esses veículos de informação predispõem, todavia, a consciência a um estado de mórbida superficialidade. Considerável número de cidadãos não consegue largar o aparelho eletrônico. Uma dependência paranoica! Perfeitamente explicável, portanto, a notória superficialidade de conhecimentos e a inconsistência nas opiniões. O fluxo constante e diversificado de informações repassa a ilusória sensação de domínio sobre amplos e difusos tópicos. Evidente, nesta veloz sequência de informações não sobra tempo nem para refletir sobre, nem para filtrar, a autenticidade do conteúdo. Notícias são aceitas, comunicados ingeridos e compartilhados sem a necessária depuração, causando a ilusória impressão de amplos conhecimentos e de domínio sobre a realidade. Consequência clara, dessa imaginária cultura e ambígua sabedoria, é a arrogante desenvoltura de quem posa para opinar sobre assuntos que mal conhece, mas sobre os quais pescou informações esparsas na internet. Alastra-se a desinformação, com previsíveis encaminhamentos conflituosos e perturbadores de ordem. Fenômeno outro alarmante, resultante dessa dependência virtual, é a crescente preguiça para aprofundar conhecimentos. O cidadão se contenta com informações fragmentadas. Estaciona em comunicados desconexos. Esta notória falta de apetite para apurar fontes e elaborar conhecimentos mais coerentes e mais balizados abre largo caminho para manipular consciências e maquiar realidades. Ficou mais fácil distorcer fatos e falsificar notícias. Assalta-se a objetiva veracidade selecionando informações e subtraindo notícias, adequando contextos a vieses ideológicos, políticos ou financeiros! Agridem-se honras e doutrinam-se consciências sem nenhum escrúpulo. Mente-se sem nenhum freio ético. Às favas a honestidade! Às favas a formação integral do cidadão!
Combatem-se a tendenciosa manipulação de fatos e a difusa circulação de informes fúteis com um projeto de formação sólido, consistente e plural. A mente humana reclama conhecimentos mais balizados e informação mais substanciosa que lhe dão condições de ampliar horizontes e definir rumos. Que lhe proporcionam, em suma, interior harmonia! Reconhece-se, sem dúvida, o substancioso salto de qualidade proporcionado pela difusão das redes sociais. Urge, portanto, cultivar a consciência de utilizar-se proveitosamente dessa formidável ferramenta! Urge, assim, começar por criar coragem para disciplinar a obsessiva dependência dessas plataformas. Urge compenetrar-se que informação não é ciência. Urge, por fim, criar filtros que ajudam a ficar com o que é objetivamente bom e a descartar o que não presta! Informação se transforma em fecunda cultura quando sedimentada em aplicado e concentrado estudo, temperado por serenas reflexões e objetivas avaliações!
Padre Charles Borg é vigário-geral da Diocese de Araçatuba
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