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Que Polícia Civil São Paulo merece?

Por Redação |
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No mês em que se comemora o Dia da Polícia Civil (21/04), a ADPESP vem à público reforçar uma reflexão e propor atitude. Políticos, servidores públicos e sociedade: precisamos mudar a cultura vinculada à Segurança e à Justiça no país, especialmente para o combate qualificado ao crime organizado e às corrupções sistêmicas e institucionais.

Por estar organicamente inserida dentro do Poder Executivo, a Polícia Civil depende diretamente da vontade política do Governo em nela investir – o que, na grande maioria das vezes não ocorre por dois motivos muito evidentes: 1. A Polícia Civil, por atuar de maneira velada, gera menos resultados políticos imediatos e midiáticos do que a polícia ostensiva e uniformizada; e 2. Não é de interesse do mau governante fortalecer uma instituição que possa se voltar contra si, investigando-o e responsabilizando-o.

No estado de São Paulo, durante mais de 20 anos de hegemonia, os governos foram profícuos no processo de sucateamento e desmoralização de sua Polícia Civil. Hoje, os policiais civis paulistas recebem os piores salários de toda federação e o déficit aproximado do efetivo na instituição é de 14 mil funcionários.

Como resultado da baixa atratividade da carreira, a cada cinco dias um policial civil deixa seu cargo em busca de remuneração digna. Ao pagar salários sofríveis a seus policiais, o governo paulista, a pretexto de economizar, gasta com a realização de concursos e com a formação de policiais que, pouco tempo depois, abandonam a instituição, causando prejuízo para o estado.

Hoje, a Polícia Civil faz muito, com o pouco que tem. Mas causa frustração a nós, policiais civis, ter a plena convicção de que poderíamos fazer muito mais pela população paulista, caso tivéssemos o investimento necessário.

Há pouco mais de 10 anos, a Polícia Civil promoveu a maior greve de sua história, reivindicando valorização salarial e melhores condições de trabalho. Hoje, todavia, este triste quadro segue inalterado, razão pela qual esperamos que o atual governador não incorra nos mesmos erros. Fornecer uma segurança pública eficiente é dever do governo do estado.


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