A masculinidade tóxica se expressa quando um homem tenta controlar o que a sua parceira veste, com quem ela fala e até o que ela pensa. Também se expressa quando um jovem toma bebidas alcoólicas para provar que é forte, quando um homem agride o outro por diferenças políticas ou por uma fechada no trânsito. Reconhecer que existe um problema no atual conceito de masculinidade é o primeiro passo para uma mudança de comportamento.
Grande parte da masculinidade tóxica é ensinada nos ambientes familiares, passada de geração em geração, e reforçada através dos meios de comunicação. Frases como “homem não chora”, “isso é coisa de mulherzinha”, “faça como homem”, contribuem para um ideal de masculinidade no qual o homem não desenvolve sua inteligência emocional para viver em sociedade.
Existe um conceito chamado “The man box” (em tradução livre “A caixa do homem”), cuja representação é uma caixa que contém tudo aquilo que a sociedade espera de um homem. Dentro desta caixa está que o homem deve ser corajoso, provedor, trabalhador, bem sucedido, sexualmente experiente e competitivo entre outras coisas. Essa caixa molda a masculinidade tóxica e torna os homens parecidos.
Acontece que dentro da atual realidade nem todos os homens são provedores ou bem sucedidos, o que acaba causando conflitos. Você já percebeu que todos os atentados motivados por bullying são feitos por homens? Talvez isso tenha alguma relação com a masculinidade ferida, já que as mulheres também passam por tais constrangimentos e não se comportam da mesma maneira.
Combater a masculinidade tóxica é o papel de todo homem consciente. Os campos de batalha são os grupos de whatsapp e rodas de amigos. O bom diálogo sobre os mitos que envolvem o masculino e o feminino podem ajudar a mudar essa realidade. Nenhuma ideia que coloque o masculino em posição de superioridade merece ser aceita.
Fernando Anhê é professor universitário
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