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Imprensa golpista e imprensa comunista

Por Redação |
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A relação dos presidentes Bolsonaro e Trump com a imprensa tradicional é bastante semelhante. Ambos citaram, na recente visita brasileira aos EUA, suas intenções de combater as fake news; entretanto, sabemos, por diversas pesquisas já realizadas (dá um Google para conferir) que os dois fazem uso deste tipo de ferramenta. Aliás, qual político não deixou a verdade, ou parte dela, para trás?

Trump privilegia a imprensa que lhe agrada; Bolsonaro também. Veio a público com a exoneração de Gustavo Bebianno, ex-secretário geral da presidência, a aversão do presidente brasileiro em relação à Globo, por exemplo, taxada de inimiga. Os dois líderes preferem as redes sociais, espaço onde falam diretamente a apoiadores mais convictos. No universo digital, eles constroem sua própria narrativa ideológica de forma livre, sem mediação.

Os dois atacam jornais, revistas, emissoras de televisão e jornalistas. No Brasil, Miriam Leitão era esculachada por petistas durante os governos Lula e Dilma por conta de suas análises perspicazes; por isso, era adorada pela oposição. Agora é atacada por apoiadores do novo governo de direita por continuar fazendo críticas.

Muitas lideranças e militantes da esquerda acusavam a imprensa tradicional de golpista durante a cobertura dos escândalos de corrupção. A mesma imprensa, para os bolsonaristas, é comunista, pois analisa e critica a política nacional atual.

O jornalismo, que também erra, não existe para agradar grupos ideológicos. Pelo menos não deveria. Mas, as pessoas que não desejam ver críticas negativas relacionadas a seus políticos favoritos pecam por infantilidade.

Parte da sociedade vive uma despreocupação em relação à verdade e se conforta numa visão de mundo que sacie suas expectativas ideológicas, mesmo que isso aconteça por meio de notícias falsas. Isso acontece de todos os lados do jogo político. Por isso, a imprensa tradicional responsável deve continuar como está, fazendo uma leitura de mundo que confronte poderes e combata hegemonias, pois este é um mecanismo de defesa da própria sociedade contra uma ilusão de perfeição política que não existe.

Fernando Verga é jornalista

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