Artigo

‘Eu-social’, qualidade de vida e segurança

Por Redação |
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“Ataque em escola de Suzano deixa 10 mortos”. Foi o alerta que recebi pelo aplicativo de um jornal no meu smartphone. Na sequência, os canais televisivos passaram a transmitir ao vivo da Escola Estadual Raul Brasil. Aí, foi possível perceber a dimensão da tragédia.

Desse fato, duas percepções parecem despertar atenção e curiosidade das pessoas: a motivação dos autores e o comportamento imitativo. Não nos cabe julgar, mas tão somente fazer uma compreensão do contexto e da história de vida dos autores. Importa dizer que se trata de um fenômeno complexo e de múltiplas causas.

Sobre Guilherme (17 anos), diz sua mãe que abandonou a escola no ano passado, porque falava não aguentar mais ser “zoado por causa das espinhas no rosto” (bullying). A outra face dessa história traz uma mãe dependente química e um pai não presente (abandono parental). O cotidiano do adolescente era preenchido com games de combate, cujo vencedor era o que mais matava.

Com o evento, levou para a realidade da escola (lugar de traumas) o sentimento de que somente um massacre com mortos por arma poderia aliviar seu sofrimento.

Não se pode afirmar que faltou família ou acolhimento na escola ao ‘Eu-Social’ frustrado, mas pode ter faltado um espaço em que pudesse compartilhar seu sofrimento e possibilitar uma ressignificação daquilo que fez adoecer o ‘Eu-Psicológico’.

O aprendizado desse fatídico evento resume-se, portanto, em criar condições às pessoas para terem alguém em quem possam apoiar-se positivamente.

A segunda reflexão, refere-se à possibilidade de outros jovens adolescentes estarem se sentindo vingados e aliviados. Sobre essa empatia com a violência extrema, lembro-me do “Efeito Werther” que, apesar de referir-se ao fenômeno do suicídio, diz respeito ao comportamento imitativo, e considerando que tantos outros jovens possam estar com o ‘Eu-Social’ frustrado e o ‘Eu-Psicológico’ em sofrimento poderão, incentivados pelas redes sociais, passar do mundo da fantasia para o real.

Somos e funcionamos assim, portanto, é importante, acolher, ouvir e esvaziar aquilo que perturba ou recorrer a um profissional de saúde mental.

Paulo Leite Motooka é coronel da PM

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