Com o objetivo de melhorar os atendimento e reduzir a fila de espera no pronto-socorro municipal, o prefeito de Guararapes, Tarek Dargham (PTB), firmou convênio com a Santa Casa, onde fica a unidade, para repassar mensalmente R$ 300 mil. Além disso, o petebista fez investimentos para melhorar o atendimentos em outros locais de saúde no município.
"Tudo ainda não é o ideal, mas, dentro do nosso alcance, já melhoramos bastante", afirmou o chefe do Executivo. Tarek é o quarto entrevistado da série da Folha da Região com os gestores municipais, para fazer um balanço da primeira metade de seus governos e cobrar promessas de campanha que ainda não saíram do papel. Confira a seguir a entrevista que Tarek concedeu à Folha da Região:
No seu plano de governo, o senhor disse que pretendia fazer melhorias no atendimento do pronto-socorro municipal, para reduzir o tempo de espera. Como está essa situação?
Eu fiz um convênio com a Santa Casa, onde funciona o pronto-socorro, com repasse fixo em R$ 300 mil por mês, utilizando recursos próprios. Para os atendimentos nas demais unidades de saúde, nós contratamos mais quatro médicos e um dentista. Há alguns meses, voltei a abrir o atendimento odontológico à noite, pois o pessoal que trabalha nas lavouras e usinas não tinha como ser atendido em outro horário. Tudo ainda não é o ideal, mas, dentro do nosso alcance, já melhoramos bastante.
Em relação à geração de empregos e industrialização de Guararapes, o senhor propôs incentivos para desenvolver economicamente a cidade. O que foi feito até agora nesse sentido?
Abri várias licitações para doações de áreas, com incentivos, terraplanagem, e conseguimos alguns resultados: a instalação de uma firma de confecções, que começou a operar antes do carnaval. Nós temos outras empresas de confecções, implantadas em terrenos doados por mim em outras administrações, que já estão exportando lingerie. A Pele a Pelle ganhou licitação de uma área vizinha para ampliação, por causa das exportações. A firma de derivados de petróleo MRP venceu licitação e deve gerar bastante ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) para o município. Doei um terreno para a EFM, que é uma prestadora de serviços de limpeza, coleta de lixo, poda, roçagem. A fábrica de cadeiras Vinholi também pegou um terreno para iniciar construção. Nós tivemos uma ampliação de centenas de empregos na nova Unialco. Outra firma nossa, a Óleos Menu, que é do grupo Toyota, fez grandes investimentos em maquinário e aumentou os empregos. O supermercado Big Mart conseguiu uma área para se instalar no município e vai gerar cercar 150 novos empregos. O nosso antigo frigorífico, que se encontrava fechado, já está exportando miúdos. Como não pode abater, o frigorífico está comprando, embalando aqui e exportando. Isso gerou logo de cara 30 empregos e a tendência é ir crescendo, porque começaram há apenas um mês. Fiz uma visita à granja Katayama, que também é tradicional em Guararapes, e vi que estão construindo quase uma cidade lá dentro, o que vai gerar uma grande quantidade de empregos. Na geração de empregos, as principais empresas são essas, mas é claro que temos firmas que oferecem menos vagas, porém, para nós não tem problema. Dando emprego, o que estiver dentro do nosso alcance e de forma legal, nós vamos incentivar.
No seu plano de governo, na parte de infraestrutura, havia a proposta de um programa de revitalização da malha asfáltica da cidade e de criação de galerias. Ele foi implantado?
Eu terminei a galeria do Rancho Grande, que foi um grande investimento. Fiz também a galeria da saída da alameda Tororó. Estou fazendo uma de 700 metros, que peguei iniciada pelo governo federal, mas tive que reformular o plano, porque uma série de coisas estava errada. Ganhei ainda uma do Estado, que estamos fazendo na saída para a Unialco e Rubiácea. Isso vai resolver o problema de alagamento. O Parque Mohamed Dargham inundava muito no passado. Fiz uma obra que resolveu o problema. Porém, quando entrei na prefeitura, em janeiro de 2017, lá pelo dia 15, caiu uma chuva que inundou tudo. Conversando com um senhor que construiu bem na frente da obra que fiz, ele falou que em 20 anos, o bairro nunca mais havia alagado, sendo aquela a primeira vez. Achei esquisito. Peguei os meus fiscais e engenheiros para acompanhar a tubulação, que é bem extensa, com quilômetros de galerias que vão até o córrego, e encontramos algumas bacias novas, que a administração passada autorizou aos loteadores ligarem nessa mesma rede. Foi isso que provocou a inundação. Antes de você conceder, é preciso saber o quanto está caindo de água e a quantidade de água que vai entrar com os pedidos dos loteadores. Essa galeria grande que estou fazendo agora, na sequência dessas obras com recursos do governo federal e do Estado, vai normalizar a situação, pois abrangerá todas as águas que não podem cair na antiga, que voltará a ser como era no projeto inicial. Faltam 30% para concluir a obra. Nessa última chuva pesada que caiu, a água chegou a encher a rua, mas não invadiu as calçadas, nem as casas. Daqui umas duas ou semanas, quando ela terminar, com uma vazão maior ainda, acho que o problema estará resolvido.
E como está a situação do asfalto?
Tenho muito para fazer ainda, mas já fiz bastante. Mais até do que eu esperava. Em dinheiro, até agora, os convênios somaram R$ 3.818.405,21. Em metros quadrados foram 142.620. Só falta fazer um pedacinho, que é de 4.469 metros quadrados, correspondente a R$ 24 mil, que já era para ter sido feito, mas cometemos um erro na hora de publicar o edital, com a data errada em um dia. A Caixa, então, pediu para refazer. Porém, já refizemos e até homologamos a licitação. Acho que em uns dez dias vai estar começando a obra e terminaremos rápido, porque é pouco.
Estava no seu plano também, na área de segurança, a implantação da atividade delegada. O senhor conseguiu?
Não. Estive em duas ou três reuniões com o comando da PM na região. Acontece que seriam disponibilizados dois ou três policiais apenas, o que, para mim, não resolve. Eu precisaria de cerca de 20 pessoas, pois terminaria com vigia que não funciona. Essa é a verdade. Tenho oito ou nove vigias de carteira, que ficariam nas guaritas do trem, por exemplo. Com a função delegada, teria uma guarda armada para praças e bens públicos. Esse é o meu sonho, mas ainda não está realizado. Estamos trabalhando nele.
Na educação, o senhor sugeriu criar um novo plano de carreira para professores e funcionários da Educação. Como está esse projeto?
Nós temos um plano. Faltam ainda algumas modificações nele para aprimorá-lo. Mas nós demos uma investida maior nos cursos de aperfeiçoamento. Em todas as áreas da educação estou fazendo brigadas de incêndio. A minha diretora está em contato com as coordenadoras. Tive um trabalho muito grande para reformar escolas, pois tínhamos apontamentos do TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) de que unidades precisavam de muitos reparos. Agora, se Deus quiser, dá para pensar em resolver esse plano de carreira, que vai envolver um custo a mais. Nosso plano está bom, mas preciso fazer algumas mudanças e pretendo fazer ainda neste ano.
Também estava no seu plano de governo a reativação do Centro Cultural. Conseguiu fazer?
Foi prometida uma verba do FID (Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos) no valor de R$ 1 milhão, mas não saiu ainda. A minha vontade era continuar usando o imóvel sempre utilizei nos meus outros três mandatos, que é o do antigo cinema. Porém, a administração passada devolveu o prédio. Ele ficou sem manutenção, com o telhado caindo. O proprietário entrou na Justiça, ganhou uma ação para eu pagar mais de R$ 140 mil e vendeu para um particular. Então, eu dependo mesmo da verba do FID ou alguma outra para poder partir para um prédio novo. Uma pena, porque o antigo cinema era tradicional, estava no centro da cidade. Nunca foi feito um tombamento dele e o dono vendeu. Fazer o quê? O prédio é dele e nós temos que aceitar. Estão montando lá uma agência bancária que vai gerar uma quantidade de empregos legal. Estou lutando. Já fui atrás do deputado estadual Roque Barbiere (PTB) e de alguns amigos que têm influência porque eu queria muito ganhar essa verba. Seria um espaço muito bom.
No final do seu plano de governo havia a previsão de uma reforma administrativa. Ela foi feita?
Sim. Em fevereiro de 2017, logo que entrei, com o objetivo de economizar. Hoje, tenho uns 13 cargos comissionados. Na reforma que fiz, diminui vários departamentos que não eram necessários. Realizei a reforma com orientação da Procuradoria do Ministério Público. Estou com um projeto na câmara, que foi aprovado em primeira discussão por unanimidade, para reformular mais algumas coisas, porque, além da reforma, existe uma decisão em Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) de que comissionados não podem mais receber FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). Os cargos de confiança não podem ser regidos pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), essa é a verdade. Tentei utilizar o regime estatutário, mas não passou na câmara. As minhas procuradoras jurídicas, então, estiveram com o MP e vieram com ideias do que poderia ser feito. As pessoas (funcionários comissionados) vão perder o FGTS, mas o resto não. Assim que o projeto passar em segunda discussão na câmara, na terça-feira (19), vou reunir todos os meus diretores e explicar que os que estiverem servindo e quiserem ficar será um prazer. Porém, que, por força de lei, não poderão mais ser regidos pela CLT. Pelo que percebi, todos concordam e sabem que temos que fazer o que a lei manda. Eu peguei a prefeitura com quase 51% do orçamento para a folha de pagamento. Hoje, temos 46%. Diminuímos um quantitativo bom.
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