Emoções tem o poder de criar vieses importantes em nossa leitura do mundo fazendo com que nossas decisões e escolhas sejam orientadas por um processamento automático e inconsciente de nossos cérebros.
Pesquisas tem revelado que nossas opções políticas sofrem influência de um aspecto específico de nossa composição psicobiológica: a sensibilidade ao nojo. O nojo é um aplicativo com o qual nascemos e que se ativa sempre que nosso sistema neurossensorial identifica a presença de coisas potencialmente patógenas, que poderiam intoxicar o organismo.
Por isso nossa reação de repulsa entre outras coisas envolve colocar a língua para fora ou sentir náuseas. Praticamente toda a literatura científica de 20 anos para cá encontra uma relação considerável entre o conservadorismo e o nojo. Estudos de sensibilidade ao nojo de pessoas em períodos eleitorais tem demonstrado que a sensibilidade ao nojo pôde prever nas urnas, a disputa entre um conservador e um liberal.
Esses estudos foram realizados em 121 países separados em 10 regiões geográficas diferentes e os resultados, sempre similares. Pessoas sensíveis ao nojo tendem a ser contrárias ao casamento homossexual e outros assuntos referentes a sexualidade além de apresentam maior responsividade fisiológica frente a estímulos. Dada sua propriedade de rápida ativação do sistema inibitório cerebral, palavras e imagens que evocam nojo são utilizadas em discursos que buscam atacar e afastar pessoas de determinados grupos sociais.
As declarações a seguir são de um deputado federal, conservador e de grande influência religiosa e nas mídias sociais, (Marco Feliciano) que vem ao longo dos anos confirmando os achados dos estudos:"A podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam ao ódio, ao crime, a rejeição", "a Aids é o câncer gay".
A ciência do comportamento é apaixonante, ao compreendermos o papel do nojo em nossa orientação política acabamos por desvelar a política do nojo de alguns de nossos representantes.
Rui Mateus Joaquim é psicólogo
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