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Jornalismo, o tempo e as notícias falsas

Por Redação |
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Pesquisas sobre o compartilhamento de notícias falsas nas redes sociais e o comportamento dos usuários a respeito delas cresceram em volume desde a última eleição norte-americana, em 2016. Estudo realizado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e publicado no jornal científico Nature em março de 2018 mostrou que durante a disputa entre Trump e Hillary Clinton as notícias se espalharam mais e mais rápido quando eram falsas, com base em dados do Twitter.

Foram analisadas três milhões de contas no Twitter e como um total de 126 mil itens noticiosos circularam nestas contas durante um período de 10 anos, culminando na eleição norte-americana. O resultado é uma vitória esmagadora das notícias falsas, cujo desempenho na rede social atropelou o trabalho jornalístico comprometido com notícias verdadeiras.

Esse fenômeno é ligado ao mundo digital, à facilidade de acessar e disponibilizar informação em diversas plataformas, de produzir e espalhar todo tipo de conteúdo de forma viral, ou seja, sem fronteiras e rapidamente. Claro que notícias falsas já foram publicadas em mídias tradicionais em diversas épocas, mas seu uso nunca esteve tão ao alcance de todos.

Discutindo o tema com estudantes universitários, refletíamos sobre a produção de notícias on-line e como seu processo difere do processo de produção de notícias para os jornais impressos. Pensamos se o fato de o tempo no impresso ser mais lento em relação ao imediatismo do mundo digital garantiria mais apuração…. Tudo depende da competência e postura ética do jornalista, que assume o compromisso com a verdade em qualquer mídia em que atue.

Não há dúvidas de que, no Brasil, as notícias falsas encontraram um grande mercado a ser explorado. Cada cidadão deve colaborar com o jornalismo sério produzido por cada mídia; essa seria a maior arma contra as milícias das notícias falsas: o apoio da sociedade ao jornalismo profissional. No fim, a memória preservada pela imprensa é o maior registro do que, de fato, acontece nas sociedades contemporâneas, inclusive que elas são suscetíveis a aceitar, facilmente, boatos como verdades.

Fernando Verga é jornalista

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