Primeiramente, peço ao leitor que se atente ao fato de que, é nítido observar que grande parte dos serviços públicos prestados pelo Estado brasileiro hoje são precarizados, insuficientes ou inconsistentes com a demanda popular. Tal fato, é posterior a décadas de decisões políticas irresponsáveis como políticas de renúncias fiscais, desonerações e desvinculações de receitas e para além delas, o descaso com a coisa pública que com o passar do tempo foi levando um numero significativo dos agentes públicos a confundirem o patrimônio particular com o público.
Nesse sentido, movidos também pela ganância, com o desejo de aumentar o próprio patrimônio, gerou-se uma onda de corrupção sistêmica, e nas costas do povo, o Brasil foi se tornando um fardo cada vez mais pesado. Porém, é necessário compreender as consequências de tais irresponsabilidades e a chaga que a corrupção deixa na relação Estado-Contribuinte, evidentemente o trabalhador brasileiro, se decepcionou e deixou de confiar na classe política, surge então a necessidade de entendimento dos custos de oportunidade que o país perdeu em décadas.
Consoante a isso, como poderiam esperar compreensão popular para aprovação da reforma da previdência se, para além do viés ideológico, esquerda e direita não contam com total aprovação de seus próprios seguidores quando o assunto é modificar a tão sonhada aposentadoria. Todavia, uma das principais falácias do discurso contrário a reforma é de que a previdência não está falida, nitidamente como mostram dados do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal – SIAFI o estado deficitário varia por indicador.
Contudo, para uma rápida compreensão do que é o rombo da previdência, basta entendermos que o PIB (produto interno bruto) é destinado a todos os serviços prestados pelo Estado, e quanto maior a porcentagem destinada para a previdência social, com o passar do tempo, demais serviços se mostrarão cada vez mais precários e com falta de recursos, uma estimativa feita em nota pelo Ministério do Planejamento diz que em 2022 os benefícios representarão 58% do PIB, além do alastramento do endividamento público e do aumento da taxa de juros.
É evidente, que uma das falácias mais conhecidas pelos economistas se faz presente, a “Cetiris paribus”, ou seja, mantendo todo o resto constante é que são utilizados os indicadores que mais convém para extrair dados mais persuasivos. Mas, não se enganem, o Brasil é um dos únicos países em desenvolvimento que continua adotando um sistema previdenciário ultrapassado, desperdiçando seu bônus demográfico e condenando a população futura a benefícios ínfimos a suas necessidades, agora, basta que respondamos: qual tipo de idoso eu quero ser no futuro?
Guilherme Gonçalves é estudante de direito (Excepcionalmente, nesta semana)
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