Artigo

Condenados a estudar para sempre

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Recentemente, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi pego em uma mentira. Ele estava usando o título de mestre em Direito Público pela universidade de Yale, uma das mais conceituadas dos Estados Unidos, mas aquela instituição confirmou à mídia brasileira que ele nunca estudou lá.

Antes dele, Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, também mentiu. Em várias palestras e pregações - ela também é pastora -, afirmava ser mestre em Educação, Direito Constitucional e Direito de Família. Pressionada pela imprensa, explicou que se autodenominava mestre baseada em um trecho da Bíblia (Efésios 4:11): “E Ele designou alguns para… pastores e mestres”.

Dilma Rousseff também mentiu. Quando era ministra chefe da Casa Civil do governo Lula, em 2009, afirmava ter mestrado e doutorado pela Unicamp, fato desmentido rapidamente pela universidade. Outros integrantes de outros governos também mentiram sobre suas formações. Por que?

Minha tese: Hoje, o valor de uma pessoa muitas vezes é medido pelo quanto ela produz. Para produzir, ela precisa estar no mercado de trabalho. E para se manter empregado ou como empreendedor em uma economia oscilante como a brasileira, é preciso muito conhecimento. Daí ser uma máxima entre as instituições que a pessoa melhor capacitada merece (por meritocracia) os postos de destaque e liderança. Subliminarmente, quem não tem tanto conhecimento, não mereceria o topo. Daí a necessidade dos títulos ou de se mentir sobre eles.

Sabe-se, atualmente, que a graduação não é o fim, mas um começo. Depois dela, quem quiser ser bem-sucedido precisa se especializar, fazer cursos de extensão, pós-graduação, mestrado, doutorado, MBA. A boa notícia é que com as novas tecnologias, estes estudos podem ser feitos sem grandes deslocamentos nem custos. A verdade é que quem está no mercado de trabalho ou pretende entrar nele já está condenado a estudar para sempre.

Ayne Regina Gonçalves Salviano é gestora educacional

Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários