Em 2016 o dicionário Oxford elegeu "Pós-Verdade "como a palavra do ano devido ao impacto e influência de notícias falsas sob a opinião pública. As coisas não parecem estar diferentes hoje em dia. Haddad apoia a pedofilia e o incesto! Bolsonaro apresentou projeto que separa sangue doado por homossexuais!
Em pleno 2019 postagens nesse estilo ainda poluem e nublam a mente e as redes sociais num emaranhado de mentiras. Qual o motivo de tanta gente propagar mentiras? Nossa engenharia e arquitetura cognitiva possui uma fragilidade, a tendência a um automatismo que é econômico para o cérebro, mas que torna nossa racionalidade limitada. Boa parte do comportamento humano tende a estabilidade no curso do desenvolvimento e decorrer do ciclo vital.
Tal estabilidade expressa nossas características de personalidade e nossas experiências de aprendizagem, nossa subjetividade, que vai sendo configurada, forma um modo default. Default é uma palavra emprestada da ciência da computação que significa "modo padrão", em psicologia cognitiva, o termo técnico é behavioral default.
Evolucionariamente falando, foi, e é, vantajoso para o cérebro repetir padrões de comportamentos aprendidos em situações semelhantes com base em experiências anteriores pois seria dispendioso para o mesmo ter de realizar análises detalhadas de eventos cotidianos o tempo todo. Tal conduta gera economia de energia para comportamentos futuros. A desvantagem é que a repetição autômata da conduta pode não levar em conta diferenças importantes presentes em detalhes sutis nos cenários que processamos, o que nos conduz ao cometimento de erros em situações de ambiguidade.
Tais situações demandam tomada de decisão, racionalidade e ponderação. Quando é preciso pensar de forma mais detalhada sobre algo, a tomada de consciência de que é necessária maior ponderação, inibe o automatismo prévio de crenças e atitudes. Nosso cérebro funciona com base em dois sistemas, O primeiro (S1) é rápido, instintivo, não consciente, ligado a processos condicionantes implícitos, procedimentais, e baseados em experiências prévias e o segundo (S2) é aprendido, consciente e faz representação e simulação de probabilidades.
Rui Mateus Joaquim é psicólogo
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