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Terra é plana; ciência é conspiração. SQN!

Por Redação |
| Tempo de leitura: 2 min

Em 2018, li na internet sobre um grupo de pessoas que acredita que o planeta Terra é plano. Achei que fosse fake news ou alguma ‘trolagem’ contra a NASA, mas não, estas pessoas existem. Nesta semana assisti ao documentário “A Terra é Plana”, do cineasta Daniel J. Clark, que mostra o líder do movimento, Mark Sargent, em sua saga contra “farsas científicas” de Hollywood.

Sargent e outros creem que nunca fomos ao espaço, que não existe imagem real feita do lado de fora da atmosfera terrestre, que vivemos numa superfície plana imóvel cercada por um domo e, em torno dele, gira o universo. Acreditam que há um complô liderado por judeus, maçons, pelo Vaticano ou algum governo cuja intenção é enganar e controlar a sociedade.

Recentemente, foi alardeada nas redes sociais a notícia de que um cruzeiro levaria os adeptos desta crença para conhecer a borda do mundo, que seria formada pelos blocos de gelo dos polos Norte e Sul.

Isso me recordou de dois fatores que podem iluminar o assunto. O primeiro é uma fala histórica do italiano Umberto Eco, mente brilhante que nos deixou em 2016. Para ele, “as redes sociais dão o direito de falar a uma legião de idiotas que antes só falavam em um bar depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a humanidade”.

O segundo é um conceito que vem se popularizando nos últimos anos: pós-verdade. Ele é usado para relacionar ou denotar “circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais”, segundo o dicionário Oxford. Este conceito está relacionado ao apogeu da internet, das redes sociais, onde avalanches de opiniões soterram a lógica e a verdade (por mais relativa que esta seja).

Não vou enumerar provas contra os terraplanistas, afinal, o conhecimento científico está disponível para quem quiser acessá-lo (na mesma internet onde uma “legião de idiotas” combate constatações científicas). A Nasa tem canais que transmitem imagens ao vivo do espaço, o suficiente para mim. Para encerrar, segue um dos argumentos mais fortes dos terraplanistas falantes do português: se estamos num planeta, é porque ele é plano, do contrário, seria redondeta!

Fernando Verga é jornalista

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