A Copa Davis foi criada no ano de 1900 por alunos da Universidade de Harvard com o intuito de desafiarem atletas britânicos, na época eram campeões do mundo no esporte. A partida foi marcada no Longwood Cricket em Boston.
A equipe americana foi formada pelos tenistas Dwight Davis (que daria nome ao torneio), Malcolm Whitman e Holcombe Ward. Os britânicos tinham no seu time Herbert Barret, Ernest Black e Arthur Gore. O primeiro título da competição ficou com a equipe americana.
As primeiras edições do torneio eram disputadas apenas entre americanos e britânicos, até que, em 1904, belgas e franceses participaram pela primeira vez da competição. Desde então o torneio não parou de crescer, até que, em 1923, a organização teve que dividir as equipes em duas zonas: americana e europeia.
A Copa Davis não foi disputada nos anos 1901 e 1910, e também no período da 1ª e 2ª Guerras Mundiais, como aconteceu com outras competições da época.
ENTENDA O QUE MUDA
Datas: O calendário previa quatro semanas para as fases principais do torneio. Agora serão duas. Em fevereiro, será disputada a fase eliminatória, em vários países. A fase final, em novembro, terá sede única.
Formato: A semana final terá uma fase de grupos, com as 18 finalistas divididas em seis chaves. Em cada confronto, serão três jogos em melhor de três sets, em vez de cinco jogos em melhor de cinco sets.
Convite: Dois países serão convidados para a fase final da competição. Os critérios para a escolha desses participantes não foram divulgados.
Dinheiro: O Kosmos (Grupo de investidores que conta com o zagueiro Gerard Piqué do Barcelona) investirá US$ 3 bilhões (R$ 11,7 bilhões) no evento por prazo de 25 anos. Segundo a ITF, a verba servirá para aumentar a premiação e expandir o esporte em mais países.
BRASIL NA DAVIS
O Brasil não tem muita tradição no torneio, tendo alcançado quatro semifinais (1966, 1971, 1992 e 2000). Thomaz Koch é o tenista que mais se destacou, sendo o sétimo jogador em número de vitórias em toda a história da competição. Edison Mandarino, Luiz Mattar, Gustavo Kuerten, Jaime Oncins e Fernando Meligeni são outros nomes de destaque. Vitórias como a contra a Espanha, em Lérida, no ano de 1999 e contra a Alemanha de Boris Becker, no Rio de Janeiro, em 1992, são dois dos grandes momentos do time brasileiro na competição.
A POLÊMICA MUDANÇA
Até a mudança aprovada em agosto de 2018, as partidas da Copa Davis eram disputadas ao longo do ano e em diversos lugares do mundo. Com o novo formato, as rodadas finais serão realizadas em novembro em apenas uma semana e reunirão 18 equipes em local neutro. Em 2019 e 2020 as disputas serão em Madrid, na Espanha.
Os 18 países serão divididas em 6 grupos, onde todos jogarão entre si antes da disputa da fase eliminatória.
Dos 18 finalistas, 12 serão definidos através de uma fase disputada no mês de fevereiro envolvendo 24 países, estas são as fases qualificatórias, também conhecidas como zonais. Existem três zonas regionais, a das Américas, a da Europa/África e a da Ásia/Oceania. Cada zona é dividida em quatro grupos ou divisões; o grupo II equivaleria a uma terceira divisão. Para completar os 18 países serão inseridos na fase mundial os 4 semifinalistas do ano anterior e mais 2 convidados.
Para o ex-tenista Fernando Meligene a mudança 'matou' a Copa Davis que ele já disputou. "A tão querida Copa Davis de mais de 100 anos perdeu o sentido, perdeu sua origem, perdeu sua magia e sua importância", comentou Fininho em seu blog na época da mudança.
A ex-atleta de tênis, professora e hoje proprietária da Saque Academia de Tênis de Araçatuba, Camila Andolfato faz coro às declarações de Menigene. "O formato não agradou nenhum jogador da elite do tênis, tínhamos o formato tradicional e também uma das únicas oportunidades de um tenista defender o seu país", comenta.
Camila conta que já viveu a Copa Davis in loco e relembra partidas e tenistas que pôde acompanhar. "Assim como apaixonada pelo esporte, vi vários jogos memoráveis, teve um Brasil X EUA em Ribeirão, se não me engano em 97, que foi um duelo muito legal, o começo do Guga, teve também Guga e Hewitt em Florianópolis e mais lá atrás Luiz Mattar e Jaime Oncins", lembra.
A Copa Davis é tratada como a Copa do Mundo para os tenistas, já que não existe um torneio desse tipo na categoria e mesmo sem o Brasil ter conquistado um título da Davis a competição sempre marcou os brasileiros, como Camila descreve o próprio Meligene enquanto representava o Brasil em quadra e também sobre a importância da competição. "Fino dava o sangue em quadra, é paixão pelo tênis e dos tenistas em poder defender o país, é algo que não é comum no tênis e é por isso a importância da Copa Davis", finaliza.
Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.