Mal o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou nova resolução permitindo que médicos façam consultas on-line de seus pacientes, e o órgão teve de publicar, em seguida, nota por conta da confusão que a alteração está causando. Nem mesmo os médicos sabem como a mudança se dará e quais especialidades estão mais "aptas" para as consultas virtuais.
A resolução 2.227/18, publicada ontem, estabelece que médicos brasileiros podem fazer atendimentos mediados por tecnologia para fins de assistência, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde, em tempo real ou off-line.
Há muito que o diálogo entre médico e paciente se intensificou com o uso Whatsapp. Uma pesquisa feita em 2015 pela consultoria britânica Cello Health Inight já mostrava esse contato "mais próximo": nove entre cada dez médicos brasileiros usam o aplicativo para tirar dúvidas de seus pacientes, constatou o levantamento.
O que o CFM está fazendo é, de certa forma, autorizar esse comportamento e a resolução vai acabar por impor normas às consultas on-line, assim como telecirurgias e telediagnósticos, entre outras formas de atendimento à distância.
"Desde que o Whatsapp se popularizou, usamos ele como forma de comunicação com nossos pacientes. Dentro da minha área de atuação isso é normal e diário", diz o dermatologista José Carlos Ferrari, de Araçatuba.
Além do próprio celular do médico, a clínica fornece um número de whats para que os pacientes entrem em contato.
Contudo, ele é enfático quanto à consulta. "É uma ferramenta incrível e nos aproxima de nossos pacientes, mas nada substitui a consulta. A relação médico e paciente nunca vai acabar", afirma.
Quem não abre mão da tecnologia é a aposentada Sandra Carvalho Valadares. "Eu agendo procedimentos, marco retorno, faço tudo pelo whats. Antes era por telefone, mas assim é até melhor. Considero ótima essa alternativa", diz.
Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.