Artigo

O antídoto para o caos

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min

O título não é uma tentativa de pegar carona no livro do canadense Jordan Peterson, surfando em sua onda e tirando proveito de sua maestria sem indicar a fonte. Tanto é que o nome do autor está na primeira frase desse texto.

Em verdade, se trata de uma reflexão de uma pequena parte do livro; vamos fazê-la então.

O livro: 12 regras para a vida - um antídoto para o caos, do pensador contemporâneo Jordan Peterson é um best-seller internacional - se você não leu, não continue a se punir: será muito útil.

Ele lista, como o próprio nome diz, 12 "regras" para que você consiga ter uma vida menos insana, mais calcada na realidade, diminuindo, assim, a quantidade de neuroses; e ele também tenta se prejudicar, pois, como psicólogo clínico, quanto menos pessoas com neuroses, inseguras, menos pacientes ele terá.

Entretanto Peterson não se preocupa consigo mesmo, ele apenas quer ajudar o próximo, e justamente por isso, de uma maneira geral, consegue abordar problemas de qualquer pessoa nesse livro.

Em especial, na última regra, ele comenta sobre Deus e a sua criação, ele diz, mais ou menos com essas palavras: sendo Deus onisciente, onipresente e onipotente, o que ele poderia criar? Limitação.

Isso mesmo: limitação. Quem pode tudo só não pode ser limitado e, justamente por isso, criou o seu humano. Um aviso aos navegantes: se você não é cristão pode ser que não concorde com o que vem a seguir, então caso você seja uma pessoa camada quatro a leitura não lhe será agradável.

Deus, sendo ilimitado, só lhe faltava limitação: o ser humano. A nossa limitação se manifesta na nossa finitude, na nossa fragilidade e em todos os aspectos sob os quais não temos domínio.

E é bem aí que nos unimos a Ele: nas nossas limitações. Um exemplo? A fé! Você pode até ouvir algumas explicações sobre Deus, ver que a ciência por mais autossuficiente que se imagina não consegue explicar os milagres (Ex: o de lanciano). E não conseguimos compreendê-lo justamente por causa de nossa limitação; a partir daí o que nos resta? A fé, que sendo grande nos une a Deus.

"E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me" (Lucas 9:23).

Deus, por meio de seu filho, nos ensinou que unir-se a ele é tomar a sua cruz, a sua limitação: mudar aquilo que se consegue mudar, e aceitar com amor tudo aquilo que não se consegue mudar. Depois de Jesus com seu exemplo maior temos, também, os exemplos dos santos e mártires que dedicaram e deram sua vida para Deus em sofrimento terreno quase sempre.

De todas as regras do fenômeno Peterson (todas ótimas), essa, com toda a certeza, é a essencial. O entendimento do drama humano, do sofrimento como parte integrante da vida e uma das grandes forças transformadoras da vida ao lado do amor - pois se deve sofrer com amor e não com amargura, é essencial para a compreensão dessa vida.

Ler todas as regras não te fará mal, você precisa do antídoto, mesmo que não perceba o problema.

Vinícius Antonio Zacarias, de Buritama, é advogado.

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