Hoje, no Sesc Birigui, o cantor Tunico da Vila faz um show em homenagem aos 80 anos de seu pai, Martinho da Vila. O show "Tunico canta Martinho - 80 anos" é um resgate - feito pelo filho - da trajetória musical que completou meio século em fevereiro de 2018.
Tunico da Vila apresenta ao público canções que contam histórias e samba contemporâneo, com o reforço de seus 25 anos de estrada como músico. Ele empresta ainda experiências ligadas ao seu pertencimento cultural, como ritmos angolanos, cultura de matriz africana, evidenciando a influência negra no samba, na música brasileira, na obra de Martinho da Vila e de seus descendentes. Tunico divide o palco com os músicos Daniel Barreto, no violão; Paulinho Black, na bateria; Sergio Roatti, no cavaco; Alexandre Barbatto, no baixo.
O repertório reúne músicas consagradas na voz do pai, como “Disritmia”, “Laiaraiá”, “Águas de Amaralina”, “Casa de Bamba”, “Meu off Rio”, “Madalena”, entre outras. Também estarão composições autorais de Tunico com Martinho, como “Para de brincar comigo, mulher” e “Um ai, ai pro meu amor”. Outra é “Antonio, João e Pedro”, que Martinho fez para o filho em 1973.
Trajetória
Tunico da Vila começou a compor sambas em 1994 com Paulinho da Aba e Agrião. Logo depois, junto com sua irmã Analimar, Ana Costa e Agrião fez parte do grupo "Coeur Sambar", iniciando no universo musical aos 20 anos.
Ele também é percussionista consagrado e fez parte do movimento que levou a percussão brasileira para o exterior, fazendo carreira internacional. Tunico já se apresentou na Dinamarca, Portugal, Cabo Verde, França, Inglaterra, Suíça, Alemanha e Angola. Atuou como músico na banda de Martinho da Vila durante 25 anos, gravou com Emílio Santiago, Leila Pinheiro e nomes além do samba, como Homem de Bem, Tito Paris, Jorge Degas, Tabanka Djaz, Manecas Costa, Luís Represas, Banda Maravilha, Ella Henderson e Kelly Rowland. Ele fez arranjos de percussão para o clipe produzido pelo cineasta americano Spike Lee.
Tunico da Vila procura cantar e tocar canções que remetem a histórias ancestrais, e por meio de seus shows retrata ambientes importantes para o samba carioca, os terreiros e as rodas de samba. Apresenta ao público sambas de roda, de partido-alto, de terreiro, afro-sambas, além de ritmos caribenhos e angolanos.
O artista conversa musicalmente com o público por meio de suas composições sobre temas como a origem banta e irreverente do samba de partido-alto, o cotidiano do povo negro, liberdade racial e sensualidade.
Hoje, ele é compositor da Universal Music, mas gravou seu primeiro álbum intitulado “Tunico Ferreira”, em 2003, com o qual fez sucesso com a música “Nota de cem”. Em 2009, lançou seu segundo álbum, ”Na cadência do partido alto” e, em 2016, o EP “O velho de Oiá”. Na obra do pai também já deixou sua marca, como a música “Um ai ai pro meu amor”, que compôs e Martinho gravou no álbum “Tá delícia, tá gostoso”, em 1995. “Pare de brincar comigo” e “Difícil ser fiel” estão no álbum “O pai da alegria”, de 1999.
Em 2018, interpretou o samba-enredo “Festa no Arraiá”, de sua autoria em parceria com Martinho da Vila e Arlindo Cruz no álbum “Alô Vila Isabeeel” e a canção “Baixou na avenida” no CD “Bandeira da fé”, ambos de Martinho da Vila pela Sony.
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