Araçatuba

Saúde Febril - Artigo

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min
A cada dia, aumenta o número de reclamações de cidadãos brasileiros no que se refere à saúde. As dificuldades de diagnóstico e tratamento adequado na rede pública de saúde são evidentes. Criado em 1988, e considerado um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo, o Sistema Único de Saúde (SUS) tem como objetivo atender os mais de 180 milhões de brasileiros que necessitam desde atenção ambulatorial até o transplante de órgãos. A Carta dos Direitos dos Usuários da Saúde, desenvolvida pelo Ministério da Saúde, traz informações pertinentes ao serviço que deve ser prestado, bem como os direitos dos usuários. Mas é essa a realidade do cidadão brasileiro? Infelizmente, não é a mesma situação que nós usuários vivenciamos. A verdadeira face do sistema de saúde público hoje: são hospitais em situação precária, a falta de equipamentos e procedimentos, a escassez de medicamentos e funcionários, o atendimento desumano e desqualificado. Esperar por meses - e em algumas situações um ano - para realizar um exame de alto custo através da rede pública. Extensas listas de espera para um transplante de órgãos, para realizar uma cirurgia. Essa é a realidade de um brasileiro de baixa renda, impossibilitado de arcar com as despesas exuberantes de um plano de saúde particular. E ainda aqueles que possuem tais planos particulares são submetidos a uma carência um tanto quanto impertinente. E diante de todas as dificuldades e inadimplências, o quadro médico se torna cada vez menor e o atendimento, por conseguinte, deficiente. A alternativa para solucionar ou amenizar o problema é trazer médicos de outros países? Muitos diriam ser uma medida insuficiente. E não bastasse os problemas citados, ainda temos que lidar com a dificuldade de diagnóstico. Vivemos tempos em que doenças raras, ou talvez nunca estudadas, aparecem com um surto de estranhezas que assustam a sociedade. Apesar de haver ainda a dificuldade de pesquisa sobre novas doenças no País, também se espera que os médicos investiguem a fundo, questionem os estranhos sintomas dos pacientes. Hoje, após poucos testes incertos, a incógnita se mantém. Nada mais é feito para se chegar a um diagnóstico final e o paciente míngua na incerteza e na falta de tratamento adequado. A prescrição, então, é a alternativa mais previsível e cada vez mais adotada: tratamento psicológico ou psiquiátrico. Ainda que existam casos em que estes sejam os tratamentos adequados, é possível perceber que se tornaram mais uma alternativa do que solução. Uma situação que acontece não apenas na rede pública como no consultório particular. Profissionais que estudam por anos, com afinco, que se comprometem diante de um juramento solene a se dedicar e exercer a arte de curar e tratar o paciente. Estariam estes profissionais desestimulados com a precariedade da área em que atuam no País? Entendemos que as verbas destinadas à saúde estão cada vez menores. Que o bem-estar do cidadão não é a prioridade aqui (Brasil). No entanto, o senso de respeito e compaixão não pode ser perdido e deve, sim, ser parte de uma ética profissional dos colaboradores dessa área. De ser humano para ser humano. E, por fim, temos uma batalha a vencer, com o nosso corpo afetado e fragilizado pela doença, com as dificuldades de diagnóstico e tratamento e, principalmente, a luta por respeito e humanidade.

Renata Juliotti é professora de idiomas e graduanda em jornalismo

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