A morte de um bebê durante o parto na Santa Casa de Araçatuba, no último sábado (3), será investigada pela polícia. O pai da criança alega que houve demora no procedimento, que teria sido atrasado devido à falta de materiais como luvas e roupão para a equipe médica.
Policiais militares foram até o hospital após denúncia de que havia um homem bastante exaltado com a morte do filho. Eles fizeram contato com uma enfermeira que relatou que o pai do bebê andava de andar em andar, ameaçando as pessoas.
Quando os policiais o encontraram, ele já estava mais calmo e contou que a mulher dele foi internada na segunda-feira (29), devido a uma gravidez de alto risco. A reportagem apurou que ela estava grávida de 8 meses.
De acordo com o pai da criança, no início da manhã sábado a gestante perdeu líquido e teve três excreções de sangue ao urinar, fato que ele teria comunicado à equipe de enfermagem.
O médico teria examinado a paciente às 10h30 e confirmado que o batimento cardíaco do bebê estava em ordem e o parto teve início às 11h30. O pai do bebê disse que assim que aconteceu o parto, o médico passou a realizar os procedimentos para reanimar a criança, que não sobreviveu.
Aos policiais, ele disse que houve certa demora no procedimento porque a todo momento faltava algum tipo de material, como luvas e roupão e cada um desses itens demorava cerca de dez minutos para serem providenciados.
PROCEDIMENTO
Os policiais militares que atenderam a ocorrência relataram no registro que conversaram com o médico, que relatou que a paciente estava internada há seis dias, com infecção urinária, síndrome hipertensiva (pré-eclâmpsia) e oligoâminio, que é redução anormal do líquido amniótico, provocada pela pré-eclâmpsia.
O profissional relatou ainda que ao examiná-la pela manhã constatou que estava tudo bem. Ao ser comunicado do sangramento, ele solicitou a realização de exame que não apontou alterações no batimento cardíaco do feto e a paciente não apresentava contrações uterinas.
Porém, mais tarde, quando o pai relatou que a gestante sentia dor, ela foi examinada novamente e constatado que estava em trabalho de parto e a criança em estado pélvico. De acordo com o médico, a paciente passou por nova avaliação junto com outra médica e foi indicada a cesárea.
A paciente foi levada ao centro cirúrgico, onde aconteceu o parto, e a criança nasceu com atonia. Ele relatou que posteriormente foi comunicado pela colega que o auxiliou na cirurgia de que o bebê havia morrido.
INVESTIGAÇÃO
A polícia determinou que o corpo da criança fosse encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) para exame necroscópico, onde a mãe também passaria por exame de corpo de delito. Um boletim de ocorrência de morte suspeita foi registrado.
A Santa Casa, por meio de nota da assessoria de imprensa, informou que a Gestão de Assistência do hospital instalou uma comissão de apuração para esclarecimento da denúncia.
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