O ano de 1884 marcou a criação oficial do Curso de Odontologia nas Faculdades de Medicina da Bahia e do Rio de Janeiro através do Decreto no 9.311, promulgado por sua Majestade, o Imperador D. Pedro II, em 25 de outubro. Pela sua importância, 25 de outubro ficou sendo o "Dia do Cirurgião-Dentista Brasileiro". No entanto, a primeira regulamentação do exercício profissional da Odontologia ocorreu com a promulgação da Lei no 1.314, de 24 de agosto de 1951.
O ensino da Odontologia no Brasil passou por várias modificações e, atualmente, por determinação do MEC, qualquer curso de Odontologia no Brasil deve ter, por lei, duração mínima de 4.000 horas - 4 a 5 anos (curso integral). No sentido de aprofundar o conhecimento das especialidades odontológicas, a partir do final da década de 1960 e início da década de 1970 foram criados os cursos de Pós-Graduação Lato Sensu e Stricto Sensu com o objetivo de formar o especialista, o professor e o pesquisador.
O movimento inicial para a criação da Faculdade de Farmácia e Odontologia de Araçatuba foi liderado pelo professor Joaquim Dibo, educador radicado na cidade. A Faculdade foi criada em 30/01/1954 por meio de um projeto apresentado, justificado e defendido pelo médico e deputado Plácido Rocha. A autorização de funcionamento da Faculdade ocorreu em 22/5/1957 na condição de Instituto Isolado do Governo do Estado de São Paulo.
Em 1970, como o curso de Farmácia não havia sido instalado, o nome passou a ser Faculdade de Odontologia de Araçatuba e, em 1976, a Faculdade passou a ser um Câmpus Universitário da Unesp, criada em janeiro de 1976.
Após o início de suas atividades em 1957, em poucos anos a Faculdade de Odontologia de Araçatuba ficou notabilizada como sendo um polo de excelência na formação de profissionais cirurgiões dentistas como, também, no campo da pesquisa experimental. E atraía docentes de outras Universidades para desenvolver suas teses junto aos docentes de Araçatuba, fazendo com que a contribuição da Faculdade ao desenvolvimento dos cursos de Odontologia brasileiros tivesse um valor inestimável.
Na década de 1970, o professor Ruy dos Santos Pinto, motivado pelo início dos Cursos de Pós-Graduação no Brasil, que tinham como objetivo formar o professor (nível de Mestrado) e o pesquisador (nível de Doutorado), criou o Curso de Pós-Graduação em Cirurgia e Traumatologia Buco Maxilo Facial, alterado para Curso de Pós-Graduação em Odontologia, com várias áreas de concentração nos anos 2000. E que já titulou centenas de profissionais do Brasil, América Latina e Central, como também da Europa.
A personalidade formadora de profissionais de excelência e de professores/pesquisadores, estimulada pelo seu primeiro diretor, professor Carlos Aldrovandi, permanece até os dias de hoje na Faculdade de Odontologia de Araçatuba, o que é notável e digno de grandes elogios.
Estes elogios são mais meritórios nos dias atuais, quando há inexistência de verbas para pesquisa, e que somente a determinação e a garra dos professores universitários fazem com que ainda exista esta importante atividade, que tem por objetivo o conhecimento dos "porquês" como também o desenvolvimento de novos materiais e tecnologias para serem aplicados ao bem-estar do paciente odontológico. Além de a pesquisa ter levado a Odontologia do empirismo à fase da evidência científica, tornando a profissão e suas especialidades reconhecidas e respeitadas no mundo.
Mas, também, é preciso reconhecer que, a Odontologia brasileira chegou ao século XXI carregando uma contradição: apesar da evolução técnica e científica, seu alcance social continua pequeno, havendo necessidade de que - cada vez mais - sejam implementados serviços que promovam o tratamento odontológico e, acima de tudo, ações voltadas à saúde bucal e de prevenção aos problemas odontológicos.
E para que isto ocorra torna-se importante associar políticas públicas e verbas compatíveis para a área da Saúde como também valorizar o cirurgião dentista como principal agente promotor da saúde bucal, que tem por objetivo a melhoria da qualidade de vida das pessoas, com foco na Odontologia.
Paulo Sérgio Perri de Carvalho é Professor Titular aposentado da Faculdade de Odontologia de Araçatuba da UNESP e Professor Titular da Faculdade de Odontologia de Bauru da USP
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