Mais de 13 milhões de desempregados. Aumento exponencial de trabalhadores na informalidade, isto é, sem registro na carteira de trabalho. Sem contar as pessoas que desistem de procurar emprego depois de tentar sem sucesso. Mais de 26 mil assassinatos registrados no Brasil, no primeiro semestre deste ano, segundo o site G1.
Mortes essas compreendidas como homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de mortes. E, ainda, de acordo com o jornal O Valor Econômico, técnicos do Governo Federal preveem um déficit fiscal de R$ 139 bilhões, para o próximo ano de 2019, coloquialmente falando (mais) gastos acima das receitas.
Também para 2019, o rombo esperado na Previdência é de R$ 208,579 bilhões e sem a reforma previdenciária, em 2020 o déficit do INSS chegará a R$ 235,758 bilhões (O Estado de São Paulo). Para piorar, uma das instituições que poderia resgatar a confiança do povo brasileiro, está sem credibilidade. Sete em cada dez brasileiros (68%) declararam não ter confiança nos partidos políticos, tampouco (67%) no Congresso Nacional (Datafolha).
Longe de ser apocalíptico, em breve Estados e Municípios estarão literalmente falidos. Acredito que não há surpresas e incautos sobre essas informações. Triste legado deixado por governos anteriores. Portanto, há muito trabalho para o futuro Presidente. Não haverá mais espaços para retóricas pueris. Agora, só resta encarar os fatos como estão postos.
O desafio a ser enfrentado nos próximos quatro anos será árduo. Mas, não impossível. Não há fórmula mágica. Portanto, há medidas urgentes e inglórias a serem tomadas, como as propaladas reformas previdenciária, fiscal, tributária e política. Ressaltando que referidas medidas não são uma panaceia para todos os problemas macroeconômicos.
Entretanto é um caminho a ser seguido para resgatar a confiança dos investidores internos e externos. Principalmente se houver fundamentos sólidos para uma economia de mercado, isto é liberdade para a economia sem a intervenção do Estado, lembrando que toda vez que o Estado intervém, alguém tem que pagar a conta.
Desnecessário dizer que é uma condição “sine qua non” (sem a qual não) para o Presidente estabelecer uma relação harmônica com o Congresso, o que lhe permitirá negociar pautas e governar sem muito sobressaltos.
Diante dos infortúnios acima citados e da minha humilde e diminuta opinião sobre economia e política, causa estranheza a miríade de intelectuais e articulistas que escrevem, ou melhor, disseminam medo aos eleitores brasileiros.
Personalidade como o ex-Presidente da República Fernando Henrique Cardoso e outros intelectuais, com suas “cartas abertas aos eleitores”, perderam o senso democrático ao pedirem união dos demais candidatos contra o candidato que é líder nas pesquisas de intenção de voto. Não podem e não devem, em nome de um projeto de poder e de partidos que estão com os dias contados, impor à sociedade brasileira o que devem fazer.
Subestimam a democracia e a escolha do povo. Acredito que referidas cartas seriam mais eficazes se fossem remetidas aos Congressistas, pedindo união dos legisladores em torno de um projeto chamado Brasil. Um Congresso omisso, corporativo, fisiológico e oligárquico, que perpetua o atraso da Nação.
Evandro Everson Santos é economista formado pela FAC-FEA (Faculdade da Fundação Educacional de Araçatuba) e policial militar aposentado
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