O Brasil está entre os dez primeiros países do mundo no ranking do suicídio. Além disso, muitas mortes não são assim registradas, sem contar as tentativas infrutíferas de autoextermínio, que acontecem em uma esfera dez vezes superior aos casos consumados.
O suicídio está vinculado à falta de informação. A pessoa considera que a vida se extingue com o findar do corpo físico, e por isso vê nesse ato a saída para seus problemas.
O cansaço da vida promovido pelo vazio existencial coloca muitas pessoas na rota direta do suicídio. Há muita gente vivendo por viver, sem objetivos, sem brilho nos olhos, sem sonhos...
Criaturas que frustram-se por pouco e encaram as provas da existência como castigo divino. E estão despreparadas para enfrentar os pedagógicos caminhos da jornada humana, sem paciência de encarar desafios. Querem colocar fim no que julgam ser um sofrimento interminável.
Alguns casos na região de Bauru mostram que muitos jovens colocaram fim nessa vida por motivos banais, cicatrizes que o tempo - esse senhor soberano - trata de curar, como o término de namoro, por exemplo. E mais um dado entristecedor: o suicídio já é uma das três principais causas de morte envolvendo jovens que estão entre os 15 e 34 anos.
Para complicar, mídia e sociedade ainda não abraçaram a causa dos desajustes humanos como deveriam abraçar - a campanha Setembro Amarelo é o recente tom de luz essencial: em ação desde 2015. Depressão, angústia, receios, melhor qualidade de vida são assuntos que obrigatoriamente deveriam estar na pauta de debates por parte da mídia, governo e sociedade de uma forma geral.
Mas, infelizmente, não é isso que acontece. Abre-se espaço em horário nobre para bisbilhotar a vida alheia, futilidades que levam do nada a lugar nenhum, esquecendo-se de que naquele mesmo horário há muita gente vivenciando sofrimentos de todos os matizes.
Quando uma sociedade emprega bem seu tempo, há menos tristezas, menos sofrimentos, menos injustiças. Poderíamos, por exemplo, evitar que seres humanos cometam a loucura de exterminar a própria vida porque ignoram a imortalidade da alma.
Por isso, o Espiritismo cumpre função social das mais importantes. Aliás, o espírita tem essa função social: a de divulgar os conceitos para a educação da alma humana. Não quero aqui dizer que a Doutrina é dona exclusiva da verdade. Quero apenas salientar que - ao ensinar que a vida continua e o espírito prosseguirá com suas conquistas e suas dificuldades além dessa vida material - o ensino espírita colabora de forma decisiva para que a criatura humana saiba que o suicídio não resolve problema algum, ao contrário, apenas agrava.
Quando todos souberem que as dificuldades são passageiras e que podem significar passaporte para uma vida melhor, o número de suicídios terá drástica redução. Dificilmente teremos jovens que atentam contra a própria existência porque a namorada colocou fim ao namoro. Não teremos mais pessoas tentando se autoexterminar por causa de problemas financeiros nem criaturas à beira da loucura porque a vida não lhes dá de mão beijada o que pretendem.
O assunto referente ao suicídio deve ser debatido, a sociedade tem de se mobilizar, informações devem ser transmitidas, o espaço precisa ser concedido. São vidas humanas em jogo.
Ou nos mobilizamos agora, ou o número de suicídios aumentará. Ou psiquiatras, religiosos, psicólogos, jornalistas e nós - toda sociedade - nos mobilizamos para tratar o assunto com a gravidade que ele merece, ou nosso Brasil terá a triste alcunha de "País do suicídio".
Wellington Balbo é escritor espírita residente em Salvador, BA. Descreve esta Face Espírita/11 Anos para publicação na Folha da Região.
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