"Se o desonesto soubesse a vantagem de ser honesto, ele seria honesto ao menos por desonestidade", já dizia o filósofo ateniense Sócrates.
Ao longo da história, a honestidade foi muito estudada pela Filosofia, por meio de seus pensadores. Sócrates investigou o significado dessa qualidade, Immanuel Kat criou princípios éticos em relação à conduta honesta e Confúcio diferenciou os níveis de honestidade.
Qualidade ética e moral, ela está ligada à sinceridade de cada indivíduo. Mas diante de uma realidade em que a falta de honestidade já virou rotina, principalmente na política do Brasil, em meio a tantos escândalos de corrupção, é possível acreditar que a honestidade é uma característica presente na sociedade brasileira?
Um projeto desenvolvimento pela Kidy Calçados, uma das maiores empresas do setor calçadista de Birigui, é capaz de provar que sim! O "Confiança em Palitos" foi criado em 2016 com essa finalidade.
Um freezer com picolés de sabores diversos foi instalado no refeitório onde os mais de 2 mil colaboradores frequentam para fazer a alimentação. Basta pegar um e pagar. Parece simples, mas a diferença é que não há uma pessoa responsável para receber esse valor.
Tudo é no sistema pegue e pague, em que o funcionário compra o picolé e deixa o dinheiro em uma caixinha ao lado do freezer. Isso sem qualquer tipo de fiscalização ou monitoramento. Tudo na base da honestidade!
O programa foi idealizado pelo gerente de RH da empresa, Luciano Dias. Ele explica que a inspiração veio após assistir uma reportagem de TV, que mostrou projeto parecido, que era desenvolvido na Universidade de Tecnologia Federal do Paraná. "Eu achei muito interessante a iniciativa e acreditei que ela poderia ser implantada aqui na empresa. Levei a ideia à diretoria, que topou executar e aceitou o desafio", explica.
O COMEÇO
Dias relembra que no começo foi um pouco difícil a adaptação. É que muitos colaboradores não deixavam o dinheiro na caixinha. "A gente chamava essas pessoas de 'esquecidas'. Tínhamos uma média de 90 esquecidos por dia. Depois, esse número caiu drasticamente para oito e hoje é praticamente zero. Todo mundo que pega um picolé já deposita o valor na caixinha", destaca.
Por meio de uma parceria com uma sorveteria de Birigui, o picolé é vendido a preço de custo (a R$ 1,25). O projeto não tem cunho lucrativo e todo o dinheiro pago pelos colaboradores é investido para compra de nova remessa de picolés.
Por semana, é vendida a média de 212 unidades. "A ação é feita não com a intenção de visar lucro, mas de trabalhar o sentimento de honestidade e confiança entre a empresa e os funcionários. A consciência veio em pouco tempo, e hoje temos o orgulho de dizer que a nossa equipe é honesta, pois fechamos o caixa com os valores de acordo com o número de picolés adquiridos", ressalta.
Ele adianta que os resultados do projeto também refletiram em outros aspectos do trabalho. "As pessoas mudaram a cultura e a visão em relação a muitas coisas. Vem auxiliando elas a fazerem o que é correto e a aprender que a omissão é igual a mentira", finaliza o gerente.
APROVADO
Há dez anos na empresa, Ana Paula Manzini, que trabalha no setor de Protótipo, aprovou o projeto. Todos os dias, ela reserva o dinheiro para tomar o picolé após o almoço. "Além de aliviar o calor, melhora a visão das pessoas, pois a empresa demonstra que acredita nos seus funcionários; É um investimento que eles poderiam ter tido prejuízos, mas acreditaram e fizeram", diz ela.
Daiane Zanai Pereira, do Custo, destaca que não há nenhum tipo de fiscalização em relação a essa compra. "A confiança é a base de tudo nesse processo", finaliza ela, que está na empresa há sete anos.
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