Há exatos sete anos, o então autônomo Leandro Cardoso, a mulher dele, Ana Cláudia Cardoso e os filhos dela, Paulo Henrique e Vitória, se mudaram de Araçatuba para Rorainópolis, cidade de cerca de 30 mil habitantes, no sul de Roraima. Eles se mudaram para acompanhar uma família de amigos e sentiram na região uma carência de fé, pregação de evangelho e amor.
A família alugou uma casa, conseguiu trabalho e passado um tempo, Leandro foi ordenado pastor e fundou naquela cidade um braço da igreja Ágape, de Araçatuba. Só que com o passar dos anos, a crise política e a chegada em massa de venezuelanos no Brasil fizeram com que parte da família de Araçatuba decidisse voltar para onde morava.
O problema em Roraima ficou tão grave que amigos também desistiram de viver no Estado e resolveram acompanhá-los, se mudando para Araçatuba. No total, seis deles, entre amigos e parentes, já vieram. Outros seis devem se mudar nos próximos dias.
O pastor recebeu a Folha da Região no apartamento que alugou em Araçatuba, cidade onde busca recolocação profissional. No imóvel moram ele, a mulher, a filha dela e uma amiga da família, que tinha uma serraria em Rorainópolis e decidiu fechar o negócio.
Leandro contou que Rorainópolis e o Estado de Roraima, que antes eram promissores e pacíficos, se transformaram em lugares onde a miséria impera. "É comum ver pessoas morando nas ruas, prostituição e criminalidade. Fora a proliferação de doenças, como sarampo, tem também o desemprego, que tomou conta do Estado", lembra.
Isso porque, o mercado se tornou competitivo - um trabalho que era feito por brasileiros e custava R$ 100, agora é feito por um venezuelano que cobra R$ 20 ou até o faz a troco de comida ou moradia. "É difícil, a gente fica com dó porque eles vivem em extrema miséria, morando em barracos, na rua. Tem empresário que ajudou os venezuelanos, mas não deixou de empregar brasileiros, mas tiveram alguns que preferiram a mão de obra mais barata, né", completa.
O pastor conta ainda que além disso, falta saneamento e o custo com alimentação é muito caro - um pacote de açúcar custa quase R$ 7. O único hospital da cidade não tem UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e a cidade mais próxima, com um pouco mais de qualidade na saúde é a capital, Boa Vista, que fica a cerca de 300 quilômetros de distância. Por causa da condição das estradas, a viagem demora mais de quatro horas.
Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.