O Tribunal do Júri de Birigui condenou a 16 anos e 4 meses o representante comercial Márcio Antônio Izidoro de Azevedo, 42 anos, por matar a facadas a ex-companheira dele, Maria Helena de Brito, 48. O crime aconteceu em abril de 2017 e o julgamento foi nesta segunda-feira (11), no Fórum de Birigui.
A mulher chegou a ser internada, permaneceu na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), mas morreu 12 dias depois. Os jurados acataram pedido do Ministério Público e condenaram o réu por feminicídio por motivo torpe. O advogado Elber Carvalho de Souza vai recorrer da decisão.
Segundo a denúncia do MP, o casal conviveu por 16 anos, mas havia sete meses que o relacionamento tinha acabado. A vítima inclusive conseguiu medida protetiva prevista na lei Maria da Penha, impedindo que o ex-companheiro se aproximasse dela. Entretanto, ele não tinha sido notificado dessa decisão.
Na madrugada de 14 de abril de 2017, ela estava em um baile na cidade, no qual o réu também estava presente. De acordo com a denúncia, durante o evento por várias vezes o ex-companheiro tentou aproximar-se da vítima e teria inclusive tentado pegá-la pelo braço.
A mulher deixou esse baile por volta das 4h, acompanhada de uma amiga, em um GM Celta. Em seguida, Azevedo também teria deixado o local e conduzindo um Peugeot 206, passou a persegui-la.
Quando Maria Helena trafegava pela avenida Antônio da Silva Nunes, ele teria jogado o carro dele contra o dela, forçando-a a parar. A mulher foi surpreendida pelo réu quando ainda estava presa ao cinto de segurança. Ele colocou parte do corpo dentro do carro, a atacou com dois golpes de faca e fugiu, deixando o objeto cortante no local.
Mesmo ferida, a mulher conseguiu soltar o cinto de segurança, abriu a porta do carro, mas caiu na guia de sarjeta no canteiro central da avenida. Ela gritou por socorro e pediu para a amiga chamar um filho dela.
A Polícia Militar foi informada do crime e policiais encontraram a vítima no local. Eles a levaram para o pronto-socorro, mas devido à gravidade dos ferimentos, a mulher teve que ser transferida para a Santa Casa de Birigui, onde permaneceu internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).
Segundo laudo do IML (Instituto Médico Legal), Maria Helena foi submetida a drenagem torácica, o quando evoluiu para choque séptico e insuficiência renal aguda, distúrbios metabólicos e arritmia cardíaca e a paciente morreu.
PRISÃO
Azevedo foi preso no dia do crime, ao procurar atendimento médico no mesmo pronto-socorro onde a vítima deu entrada. Populares danificaram o carro dele que ficou estacionado em frente ao hospital. Ele recebeu alta médica naquela tarde e foi levado para a prisão, onde aguardou julgamento.
O advogado alegou legítima defesa e pediu para os jurados desclassificarem o crime de homicídio para lesão corporal seguida de morte. Como não foi atendido, ele vai recorrer, pedindo a anulação do julgamento, por considerar que ele ocorreu em desacordo com as provas constantes nos autos do processo.
A sentença foi proferida pelo da 1.ª Vara Criminal de Birigui, juiz Adriano Pinto de Oliveira, que não concedeu ao réu o direito de aguardar o julgamento do recurso em liberdade.
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