A tão sonhada cidadania europeia ou aquele passaporte para poder viajar sem medo é uma caminhada longa, cansativa, mas que vale a pena. Quem encarou a jornada não tem do que reclamar, colocando na balança os benefícios que esses preciosos documentos proporcionam.
O processo para tirar cidadania europeia é lento e trabalhoso. É preciso juntar documentação dos parentes, traduzir uma série de papéis, pagar taxas e esperar meses, ou mesmo anos, até a tramitação correr. A partir do momento em que se tem o passaporte europeu em mãos, o tratamento muda. Não só da Europa, mas também em países que têm relações diplomáticas amistosas com a União Europeia.
A aposentada Maria Tereza Antó Socio, 65 anos, tem pais e avós espanhóis, que vieram para o Brasil em 1953. Naquela época, muitos imigrantes europeus cruzaram o Oceano Atlântico em busca de melhores oportunidades de vida e para fugir de guerras. Por isso, hoje não são raros os brasileiros filhos, netos e bisnetos de imigrantes europeus.
A decisão de ir atrás da documentação a que Tereza tinha direito só veio anos depois. Mas, para consegui-los, a luta foi grande. Tereza, que ainda não conhece a Europa, pediu ajuda a amigos espanhóis, quando ainda morava em São Bernardo do Campo, para conseguir, na Espanha, a certidão de nascimento do pai. Depois de quase um ano entre idas e vindas ao Consulado da Espanha, ela conseguiu tirar o passaporte da União Europeia. Os filhos dela, Julian e Jean, também conseguiram o documento.
No entanto, o marido, Alfeu, ainda não teve direito porque, segundo Tereza, ela e o marido se casaram no Brasil: para ele conseguir ao menos o passaporte, eles teriam de selar o matrimônio na Espanha. "Nos meus documentos espanhóis, que tirei depois que meu pai faleceu, consta meu nome de solteira, Maria Tereza Ortiz Antó, porque na Espanha eu ainda não casei. Para o Alfeu tirar passaporte a gente teria de se casar lá, morar um ano na Espanha para, só depois, ele conseguir a cidadania", conta. Por enquanto, contemplar a Espanha e a Europa só por fotos e filmes, mas o sonho que a Tereza pretende realizar em breve permanece vivo. De preferência, com toda a família.
A arquiteta biriguiense Daniela Beneduzzi Passarelli conseguiu recentemente a cidadania italiana. Neta e bisneta de italianos pelos dois lados da família, ela contou à Folha que a ideia de obter a cidadania começou quando se formou em arquitetura e queria passar uma temporada por lá, fazendo cursos de especialização.
"Iniciei a busca dos documentos, mas os planos e o processo foram interrompidos quando decidi me mudar para o sul da Bahia. Agora, de volta à terra natal, retomei a ideia. A Itália é um país maravilhoso, onde a gente respira cultura de norte a sul, fora os vinhos maravilhosos", afirma.
A obtenção da cidadania foi um pouco mais fácil no caso dela porque tinha os documentos originais dos antepassados. "Eu tinha tudo e isso agilizou bastante. Entreguei os documentos para a empresa contratada em janeiro e embarquei para a Itália no final de março. Chegando lá fui recepcionada pelo pessoal da empresa e passei 45 dias com assessoria para fazer toda a papelada necessária. Devo voltar em setembro apenas para pegar o passaporte", comemora. A arquiteta conta que empresas de assessoria cobram, em média, 3,8 mil euros, incluindo a moradia. Em reais, esse valor sai por cerca de R$ 17 mil. Além disso há as despesas com as certidões no Brasil, que devem ser traduzidas para o italiano.
Enquanto aguarda o passaporte, a arquiteta avalia se algum dia pretende se mudar para a Itália. "Pretendo morar lá com certeza. Mas esse plano é para o futuro. Por enquanto, ainda devo ficar no Brasil, mas resolvi deixar tudo pronto por garantia. Afinal com o nosso país nessa bagunça, nunca se sabe", completa.
Fale com o Folha da Região!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.